Cirrose Hepática: Manejo e Profilaxia de Complicações

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 60 anos de idade é acompanhado no ambulatório de hepatologia. É portador de cirrose hepática (Child-Pugh B), com ascite, varizes esofágicas, com história de hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa prévia. No seguimento ambulatorial deste paciente as condutas abaixo estão adequadas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) A dieta hipossódica deve ser reforçada em todas as consultas, e a função renal deve ser monitorizada.
  2. B) O rastreamento de nódulo hepático deve ser feito semestralmente com ultrassonografia e dosagem de alfa-fetoproteína.
  3. C) Caso apresente anti-HVA IgG negativo, deve-se encaminhar o paciente para vacinação contra hepatite A.
  4. D) A profilaxia secundária de HDA deve ser realizada com ligadura elástica das varizes e betabloqueador (propranolol ou carvedilol.
  5. E) Caso apresente encefalopatia hepática, deve-se pesquisar o fator desencadeante, como infecção e desidratação, por exemplo.

Pérola Clínica

Profilaxia secundária HDA varicosa: Ligadura elástica + betabloqueador não seletivo é padrão, mas considerar contraindicações individuais.

Resumo-Chave

A profilaxia secundária de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas em cirróticos é crucial e, idealmente, combina ligadura elástica e betabloqueadores não seletivos. Contudo, a afirmação de que 'deve ser realizada com ligadura elástica das varizes e betabloqueador' pode ser considerada inadequada se houver contraindicações a um dos métodos, tornando a combinação não universalmente aplicável a todos os pacientes.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é o estágio final de diversas doenças hepáticas crônicas, caracterizada por fibrose e nódulos de regeneração, levando à disfunção hepática e hipertensão portal. O manejo ambulatorial desses pacientes é complexo e visa prevenir e tratar suas múltiplas complicações, como ascite, encefalopatia hepática, hemorragia varicosa e hepatocarcinoma. A classificação de Child-Pugh auxilia na avaliação do prognóstico e na decisão terapêutica. A profilaxia secundária de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é um pilar no manejo, uma vez que um episódio de sangramento aumenta significativamente a mortalidade. As diretrizes atuais recomendam a terapia combinada de ligadura elástica endoscópica das varizes e o uso de betabloqueadores não seletivos (propranolol ou carvedilol), pois essa abordagem demonstrou ser superior a cada terapia isolada na prevenção de ressangramento. No entanto, é importante ressaltar que a aplicação dessa combinação deve considerar as particularidades de cada paciente, como a presença de contraindicações aos betabloqueadores (ex: asma grave, bradicardia sintomática) ou a recusa do paciente a um dos procedimentos. Nesses casos, a terapia isolada com o método tolerado seria a conduta adequada, o que torna a afirmação 'deve ser realizada com ligadura elástica das varizes e betabloqueador' não universalmente verdadeira para todos os pacientes, justificando-a como a opção 'EXCETO adequada' em um contexto de prova que busca a exceção.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais medidas no manejo da ascite em pacientes cirróticos?

As principais medidas incluem dieta hipossódica, uso de diuréticos (espironolactona e furosemida), e monitorização da função renal e eletrólitos para evitar complicações como a síndrome hepatorrenal.

Por que a profilaxia secundária de HDA varicosa é importante e como é realizada?

É crucial para prevenir ressangramento, que tem alta mortalidade. É realizada idealmente com a combinação de ligadura elástica endoscópica das varizes e uso de betabloqueadores não seletivos (propranolol ou carvedilol) para reduzir a pressão portal.

Qual a importância do rastreamento de hepatocarcinoma em pacientes com cirrose?

O rastreamento semestral com ultrassonografia e dosagem de alfa-fetoproteína é fundamental para detectar o hepatocarcinoma precocemente, aumentando as chances de tratamento curativo, já que a cirrose é o principal fator de risco para seu desenvolvimento.

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