FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020
Um paciente de 60 anos de idade é acompanhado no ambulatório de hepatologia. É portador de cirrose hepática (Child-Pugh B), com ascite, varizes esofágicas, com história de hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa prévia. No seguimento ambulatorial deste paciente as condutas abaixo estão adequadas, EXCETO:
Profilaxia secundária HDA varicosa: Ligadura elástica + betabloqueador não seletivo é padrão, mas considerar contraindicações individuais.
A profilaxia secundária de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas em cirróticos é crucial e, idealmente, combina ligadura elástica e betabloqueadores não seletivos. Contudo, a afirmação de que 'deve ser realizada com ligadura elástica das varizes e betabloqueador' pode ser considerada inadequada se houver contraindicações a um dos métodos, tornando a combinação não universalmente aplicável a todos os pacientes.
A cirrose hepática é o estágio final de diversas doenças hepáticas crônicas, caracterizada por fibrose e nódulos de regeneração, levando à disfunção hepática e hipertensão portal. O manejo ambulatorial desses pacientes é complexo e visa prevenir e tratar suas múltiplas complicações, como ascite, encefalopatia hepática, hemorragia varicosa e hepatocarcinoma. A classificação de Child-Pugh auxilia na avaliação do prognóstico e na decisão terapêutica. A profilaxia secundária de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é um pilar no manejo, uma vez que um episódio de sangramento aumenta significativamente a mortalidade. As diretrizes atuais recomendam a terapia combinada de ligadura elástica endoscópica das varizes e o uso de betabloqueadores não seletivos (propranolol ou carvedilol), pois essa abordagem demonstrou ser superior a cada terapia isolada na prevenção de ressangramento. No entanto, é importante ressaltar que a aplicação dessa combinação deve considerar as particularidades de cada paciente, como a presença de contraindicações aos betabloqueadores (ex: asma grave, bradicardia sintomática) ou a recusa do paciente a um dos procedimentos. Nesses casos, a terapia isolada com o método tolerado seria a conduta adequada, o que torna a afirmação 'deve ser realizada com ligadura elástica das varizes e betabloqueador' não universalmente verdadeira para todos os pacientes, justificando-a como a opção 'EXCETO adequada' em um contexto de prova que busca a exceção.
As principais medidas incluem dieta hipossódica, uso de diuréticos (espironolactona e furosemida), e monitorização da função renal e eletrólitos para evitar complicações como a síndrome hepatorrenal.
É crucial para prevenir ressangramento, que tem alta mortalidade. É realizada idealmente com a combinação de ligadura elástica endoscópica das varizes e uso de betabloqueadores não seletivos (propranolol ou carvedilol) para reduzir a pressão portal.
O rastreamento semestral com ultrassonografia e dosagem de alfa-fetoproteína é fundamental para detectar o hepatocarcinoma precocemente, aumentando as chances de tratamento curativo, já que a cirrose é o principal fator de risco para seu desenvolvimento.
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