Hematêmese em Cirrose Child C: Manejo e Classificação

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de 50 anos, masculino, etilista crônico, chega ao Hospital de Urgências de Anápolis com hematêmese de grande volume, apresentando ao exame clínico: nível de consciência e orientação preservados, ginecomastia bilateral, FC = 90 bpm, PA = 110 x 60 mmHg, abdômen globoso com ascite volumosa e tensa, com circulação colateral superficial e edema de membros inferiores. Exames laboratoriais: Albumina = 2,5 g/dL, bilirrubinas = 2,5 mg/dL e atividade de protrombina = 45%. O paciente relata que é terceiro episódio de sangramento nos últimos 12 meses, sendo realizado previamente controle endoscópico com ligadura elástica de varizes de esôfago. Nesse caso, qual a classificação de Child-Pugh e a melhor conduta para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Child B. Realizar nova endoscopia digestiva alta com ligadura elástica de varizes de esôfago.
  2. B) Child C. Realizar cirurgia de descompressão do sistema porta: cirurgia de Warren.
  3. C) Child B. Realizar cirurgia de descompressão do sistema porta: cirurgia porta-cava calibrada.
  4. D) Child C. Realizar TIPS (shunt porta-sistêmico).

Pérola Clínica

Etilista crônico com hematêmese recorrente, ascite, ginecomastia, albumina ↓, bilirrubinas ↑, TP ↓ → Child C; Conduta para ressangramento varicoso em Child C → TIPS.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de descompensação hepática grave (ascite volumosa, ginecomastia, alterações laboratoriais) e histórico de ressangramento de varizes esofágicas, classificando-o como Child-Pugh C. Nesses casos, o TIPS (shunt porta-sistêmico intra-hepático transjugular) é a melhor conduta para prevenir novos episódios de sangramento, especialmente após falha da ligadura elástica.

Contexto Educacional

A cirrose hepática, frequentemente associada ao etilismo crônico, é uma das principais causas de hipertensão portal e suas complicações, como as varizes esofágicas. O sangramento por varizes esofágicas é uma emergência médica grave, com alta mortalidade. A classificação de Child-Pugh é uma ferramenta essencial para avaliar a gravidade da disfunção hepática e o prognóstico do paciente, sendo crucial para guiar a conduta. A classificação de Child-Pugh atribui pontos para encefalopatia, ascite, bilirrubina, albumina e tempo de protrombina (ou INR). No caso apresentado, o paciente com ascite volumosa, albumina baixa (2,5 g/dL), bilirrubinas elevadas (2,5 mg/dL) e atividade de protrombina reduzida (45%) claramente se enquadra na classe Child C, indicando doença hepática avançada e pior prognóstico. Para pacientes Child C com sangramento varicoso recorrente, especialmente após falha da ligadura elástica, a conduta de escolha é a descompressão do sistema porta. O TIPS (shunt porta-sistêmico intra-hepático transjugular) é o método preferencial, pois reduz a pressão portal e, consequentemente, o risco de novos sangramentos, oferecendo uma alternativa menos invasiva que a cirurgia de shunt. O residente deve estar apto a classificar o paciente e a indicar a melhor abordagem terapêutica para essa condição de alto risco.

Perguntas Frequentes

Como é feita a classificação de Child-Pugh para cirrose hepática?

A classificação de Child-Pugh avalia a gravidade da cirrose com base em cinco parâmetros: encefalopatia hepática, ascite, bilirrubina total, albumina sérica e tempo de protrombina (ou INR). Cada parâmetro recebe uma pontuação de 1 a 3, somando-se para classificar em A, B ou C.

Qual a pontuação Child-Pugh para o paciente do enunciado?

O paciente apresenta: Ascite volumosa (3 pontos), Albumina 2,5 g/dL (3 pontos), Bilirrubinas 2,5 mg/dL (2 pontos), Atividade de protrombina 45% (INR > 2,3 - 3 pontos). Total = 11 pontos, classificando-o como Child C.

Quando o TIPS é indicado para sangramento de varizes esofágicas?

O TIPS (shunt porta-sistêmico intra-hepático transjugular) é indicado para pacientes com sangramento varicoso refratário ao tratamento endoscópico e farmacológico, ou como prevenção secundária em pacientes de alto risco (Child C) que já apresentaram ressangramento.

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