INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Homem com 40 anos de idade, portador de cirrose alcoólica, encontra-se em avaliação para transplante hepático. Relata abstinência de álcool há dois anos. Há sete dias apresentou hematêmese e ascite moderada. Foi submetido a endoscopia digestiva com ligadura elástica de varizes de esôfago. No momento encontra-se bem, hemodinamicamente estável, sem sinais de sangramento. A conduta correta a seguir é:
HDA varicosa estabilizada → Alta com Beta-bloq + IBP + Antibiótico + Diurético + Fila de Transplante.
O manejo do paciente cirrótico após estabilização de sangramento varicoso foca na profilaxia secundária e na manutenção do suporte clínico para transplante, sem interrupção por intercorrências agudas tratadas.
O manejo da cirrose hepática descompensada por hemorragia digestiva alta (HDA) exige uma abordagem multidisciplinar. Após a estabilização hemodinâmica e o controle endoscópico com ligadura elástica, o foco desloca-se para a prevenção de novas descompensações. A HDA é um marcador de gravidade que eleva a pontuação no escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease), reforçando a indicação de transplante hepático. A manutenção da abstinência alcoólica é o fator prognóstico mais importante na cirrose de etiologia etílica. Pacientes que mantêm a sobriedade podem apresentar melhora parcial da função hepática, mas aqueles com hipertensão portal clinicamente significativa (como evidenciado por varizes e ascite) devem permanecer em avaliação para transplante, seguindo os protocolos de profilaxia secundária rigorosos para evitar óbito em fila.
O paciente deve receber alta com: 1) Betabloqueador não seletivo (Propranolol) para profilaxia secundária de sangramento; 2) Antibioticoprofilaxia (geralmente Norfloxacino ou Ceftriaxone) para prevenir peritonite bacteriana espontânea; 3) Inibidor de Bomba de Prótons (IBP) para auxiliar na cicatrização das úlceras pós-ligadura; 4) Diuréticos (Espironolactona/Furosemida) se houver ascite.
A maioria dos centros de transplante exige um período mínimo de 6 meses de abstinência alcoólica comprovada (a 'regra dos 6 meses') antes de listar o paciente. No caso clínico, o paciente já está em abstinência há dois anos, o que o torna um excelente candidato do ponto de vista etiológico, independentemente do episódio agudo de sangramento.
A profilaxia secundária ideal combina o uso de betabloqueadores não seletivos (como o propranolol) com sessões repetidas de ligadura elástica por endoscopia até a erradicação das varizes. O acompanhamento endoscópico deve ser frequente no início (a cada 2-4 semanas) e espaçado após a erradicação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo