Diagnóstico de Cirrose e Hepatite C: Papel da Biópsia

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Uma paciente de cinquenta anos de idade compareceu a um ambulatório de clínica médica relatando que, havia um mês, vinha apresentando dor difusa e aumento do volume do abdome. No prontuário da paciente, estava descrito que ela era supervisionada pelo serviço médico por apresentar hepatite crônica persistente. No exame físico, a paciente apresentou icterícia, macicez móvel, dor difusa à palpação e ausência de visceromegalias. Os exames laboratoriais mostraram albumina de 2g/dL (normal: 3,9 a 4,6g/dL); bilirrubina total de 5 mg/dL (3,5 mg/dL de bilirrubina direta); tempo de protrombina de 18 segundos (normal: 10 a 14 segundos); TGO de 150 U/L; e TGP de 100 U/L.Considerando o caso clínico acima apresentado, julgue o item subsecutivo.O diagnóstico de hepatite C será firmado caso a paciente realize biópsia hepática que confirme o diagnóstico de cirrose nodular.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Biópsia hepática define estágio de fibrose/cirrose, mas NÃO define a etiologia viral.

Resumo-Chave

A biópsia identifica alterações estruturais como nódulos de regeneração e fibrose (estadiamento), mas o diagnóstico etiológico da Hepatite C depende de sorologia (Anti-HCV) e biologia molecular (HCV-RNA).

Contexto Educacional

A cirrose é o estágio final de diversas agressões crônicas ao fígado, caracterizada pela substituição do parênquima funcional por tecido fibrótico e nódulos de regeneração. Embora a biópsia seja o padrão-ouro histórico para avaliar o grau de fibrose, ela não é capaz de diferenciar, por si só, se a cirrose foi causada por álcool, vírus B, vírus C ou esteato-hepatite não alcoólica, a menos que existam achados muito específicos (como corpúsculos de Mallory ou inclusões virais raras). No manejo clínico moderno, métodos não invasivos como a elastografia hepática têm substituído a biópsia para o estadiamento. O diagnóstico etiológico deve sempre ser buscado através de história clínica, sorologias, perfil de ferro e autoanticorpos. No caso apresentado, a paciente já possui sinais clínicos e laboratoriais de cirrose avançada, tornando a biópsia muitas vezes desnecessária e arriscada devido à coagulopatia.

Perguntas Frequentes

O que a biópsia hepática demonstra na cirrose?

A biópsia hepática na cirrose demonstra a presença de nódulos de regeneração cercados por bandas de tecido fibroso, o que caracteriza a desorganização completa da arquitetura lobular do fígado (estágio F4 de Metavir). Ela avalia a gravidade da lesão estrutural, mas raramente aponta a causa isoladamente.

Como é feito o diagnóstico definitivo de Hepatite C?

O diagnóstico é realizado inicialmente através da detecção de anticorpos (Anti-HCV). Se positivo, a confirmação da infecção ativa é feita pela detecção do RNA do vírus (HCV-RNA) por técnicas de biologia molecular (PCR). A biópsia pode ser usada para estadiamento, mas não para o diagnóstico da presença do vírus.

Quais são os sinais de insuficiência hepatocelular no caso?

A paciente apresenta icterícia (hiperbilirrubinemia), hipoalbuminemia (albumina 2g/dL) e alargamento do tempo de protrombina (18s). Esses achados, associados à ascite (macicez móvel), indicam uma cirrose descompensada com prejuízo da função de síntese e excreção do fígado.

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