Manejo Transfusional em Cirróticos Child-Pugh C

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2024

Enunciado

Paciente cirrótico Child-Pugh C, 53 anos de idade, apresenta quadro clínico e radiológico compatível com apendicite aguda. A equipe cirúrgica indicou apendicectomia. Os resultados dos exames laboratoriais atuais são: Hb: 12,6 g/dL; Ht: 38,9%, LT: 4200; plaq: 78.000 cel/mm3 ; tempo de protrombina: RNI: 1,69; tempo de tromboplastina parcial ativado: relação P/N: 1,31. De acordo como o caso relatado, qual é a conduta transfusional a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Transfusão de 1 UI de plaquetaférese pré-procedimento cirúrgico.
  2. B) Transfusão de 10 mL/Kg de plasma fresco congelado pré-procedimento.
  3. C) Transfusão de 2 UI de plaquetaférese pré-procedimento cirúrgico.
  4. D) Transfusão de 25 mL/Kg de plasma fresco congelado pré-procedimento.

Pérola Clínica

Cirrótico Child-Pugh C com coagulopatia (RNI > 1.5) e plaquetopenia (< 50.000) pré-cirurgia → PFC e plaquetas.

Resumo-Chave

Pacientes cirróticos Child-Pugh C apresentam alto risco de sangramento devido a plaquetopenia e coagulopatia (RNI elevado). Para procedimentos invasivos, a correção da coagulopatia com plasma fresco congelado (PFC) é indicada se o RNI > 1.5 e a plaquetopenia grave (< 50.000/mm³ ou < 80.000/mm³ para cirurgias de alto risco) com transfusão de plaquetas. No caso, RNI 1.69 e plaquetas 78.000, o PFC é a prioridade.

Contexto Educacional

Pacientes com cirrose hepática avançada, classificados como Child-Pugh C, apresentam disfunção hepática grave que afeta a síntese de fatores de coagulação e a contagem de plaquetas devido ao hiperesplenismo. Isso os coloca em alto risco de sangramento durante procedimentos cirúrgicos. A avaliação pré-operatória cuidadosa é fundamental. A fisiopatologia da coagulopatia em cirróticos é complexa, envolvendo deficiência de fatores pró-coagulantes (sintetizados no fígado) e também de anticoagulantes naturais, além de disfunção plaquetária e hiperesplenismo. O RNI é um bom indicador da deficiência de fatores vitamina K-dependentes. A conduta transfusional deve ser individualizada. Para RNI elevado (>1.5), o plasma fresco congelado (PFC) é a principal opção para repor os fatores de coagulação. Para plaquetopenia, a transfusão de plaquetas é considerada se a contagem for inferior a 50.000/mm³ (ou 80.000/mm³ para cirurgias de maior risco). É importante evitar a sobrecarga volêmica.

Perguntas Frequentes

Quando transfundir plasma fresco congelado em cirróticos pré-cirurgia?

A transfusão de plasma fresco congelado é indicada em cirróticos com RNI > 1.5 (ou > 1.8-2.0, dependendo do procedimento e risco) antes de procedimentos invasivos para corrigir a coagulopatia por deficiência de fatores de coagulação.

Qual o limiar de plaquetas para transfusão em cirróticos antes de cirurgia?

Para cirurgias de médio risco, o limiar é geralmente 50.000/mm³. Para cirurgias de alto risco ou neurocirurgias, pode-se buscar um valor acima de 80.000/mm³ ou 100.000/mm³.

Quais os riscos da transfusão de plasma fresco congelado em cirróticos?

Os riscos incluem sobrecarga volêmica, reações alérgicas, TRALI (lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão) e, paradoxalmente, pode não corrigir totalmente a coagulopatia devido à síntese contínua de fatores pró e anticoagulantes pelo fígado doente.

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