SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020
Os raios X de uma mulher de 35 anos vítima de um acidente automobilístico revelam uma fratura de base de crânio, que é preocupante em razão de uma possível interrupção da circulação portal hipofisária. Isso deveria causar uma diminuição na circulação de:
Fratura base crânio + interrupção circulação portal hipofisária → ↓ hormônios da adenohipófise (ex: gonadotrofinas).
A circulação portal hipofisária é essencial para o transporte dos hormônios liberadores e inibidores do hipotálamo para a adenohipófise, regulando a secreção de seus hormônios. A interrupção dessa circulação, como em uma fratura de base de crânio, compromete a função da adenohipófise, levando à diminuição de hormônios como as gonadotrofinas (LH e FSH).
A fratura de base de crânio é uma lesão grave que pode ter múltiplas consequências, incluindo o comprometimento da função endócrina. A hipófise, localizada na sela túrcica, é particularmente vulnerável a traumas, e a interrupção da circulação portal hipofisária é uma preocupação significativa. Essa circulação é um sistema vascular especializado que transporta hormônios liberadores e inibidores do hipotálamo para a adenohipófise (hipófise anterior), regulando a secreção de seus próprios hormônios. A adenohipófise é responsável pela produção e secreção de seis hormônios principais: hormônio tireoestimulante (TSH), hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), hormônio do crescimento (GH), prolactina, hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). A interrupção da circulação portal impede que os fatores hipotalâmicos (como GnRH, TRH, CRH, GHRH) cheguem à adenohipófise em concentrações adequadas, levando a uma diminuição na secreção dos hormônios adenohipofisários. As gonadotrofinas (FSH e LH) são frequentemente as primeiras a serem afetadas, resultando em hipogonadismo. Por outro lado, a neuro-hipófise (hipófise posterior) armazena e libera vasopressina (ADH) e ocitocina, que são produzidos nos núcleos hipotalâmicos e transportados por axônios. Portanto, a secreção de ADH e ocitocina não depende diretamente da circulação portal hipofisária, mas sim da integridade do pedículo hipofisário e dos axônios. A prolactina é uma exceção, pois sua secreção é predominantemente inibida pela dopamina hipotalâmica; a interrupção da circulação portal pode, paradoxalmente, levar à hiperprolactinemia devido à perda da inibição dopaminérgica. O hipopituitarismo pós-traumático pode se manifestar de forma aguda ou tardia, exigindo acompanhamento endocrinológico.
A adenohipófise produz TSH, ACTH, GH, Prolactina, FSH e LH. Todos dependem dos hormônios liberadores/inibidores hipotalâmicos transportados pela circulação portal hipofisária.
A prolactina é predominantemente inibida pela dopamina hipotalâmica. A interrupção da circulação portal pode levar à diminuição da dopamina na adenohipófise, resultando em hiperprolactinemia, ao invés de diminuição.
As manifestações variam dependendo dos hormônios afetados, podendo incluir fadiga, hipotireoidismo central, insuficiência adrenal secundária, amenorreia, disfunção erétil e deficiência de GH, muitas vezes com início tardio.
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