Infecção Urinária Recorrente: DMSA na Investigação Pediátrica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Um lactente, de 6 meses de idade, comparece sem queixas ao consultório médico com história de internações devido a infecção urinária alta aos 20 dias e aos 3 meses. Com 5 meses, apresentou quadro de febre intermitente, inapetência e vômitos, com exame qualitativo de urina que apontou nitrito (+), esterase leucocitária (+) e urocultura colhida por sondagem vesical com mais de 100 000 UFC/ml de E. coli, tendo completado o tratamento com antimicrobiano com remissão dos sintomas. Realizado ultrassonografia durante a última internação que não verificou alterações. Como forma de estender a investigação, assinale a alternativa correta quanto ao exame padrão-ouro para essa situação.

Alternativas

  1. A) Cintilografia renal com DMSA.
  2. B) Urografia excretora. 
  3. C) Uretrocistografia miccional.
  4. D) Ressonância magnética de abdome.

Pérola Clínica

Infecção urinária recorrente em lactente → Cintilografia DMSA para avaliar cicatrizes renais e parênquima.

Resumo-Chave

A cintilografia renal com DMSA é o exame padrão-ouro para avaliar o parênquima renal e detectar cicatrizes renais após infecções urinárias altas, sendo crucial na investigação de infecções urinárias recorrentes em lactentes, mesmo com ultrassonografia normal.

Contexto Educacional

A infecção urinária (ITU) em lactentes é uma condição comum e séria, com potencial para causar danos renais permanentes se não for adequadamente investigada e tratada. A recorrência de ITUs, especialmente as de trato superior (pielonefrite), levanta a suspeita de anomalias do trato urinário, como o refluxo vesicoureteral (RVU) ou outras malformações congênitas. O diagnóstico precoce e a investigação adequada são cruciais para prevenir a formação de cicatrizes renais, que podem levar a hipertensão arterial, proteinúria e doença renal crônica na vida adulta. A ultrassonografia renal é frequentemente o primeiro exame de imagem realizado, mas sua normalidade não exclui a presença de pielonefrite ou o risco de cicatrizes. Nesses casos, a cintilografia renal com DMSA (ácido dimercaptosuccínico) emerge como o exame padrão-ouro para avaliar o parênquima renal. O DMSA se liga aos túbulos renais, permitindo a visualização da função e morfologia do córtex renal, identificando áreas de inflamação aguda (pielonefrite) ou lesões crônicas (cicatrizes renais). A identificação de cicatrizes renais por DMSA é fundamental para o prognóstico e manejo a longo prazo. Crianças com cicatrizes renais podem necessitar de acompanhamento mais rigoroso, incluindo monitoramento da pressão arterial e da função renal. Embora a Uretrocistografia Miccional (UCGM) seja essencial para diagnosticar o refluxo vesicoureteral, a cintilografia com DMSA oferece informações complementares e indispensáveis sobre o estado do parênquima renal, guiando decisões terapêuticas e de acompanhamento.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para realizar uma cintilografia renal com DMSA em crianças?

A cintilografia renal com DMSA é indicada para avaliar o parênquima renal em casos de infecção urinária febril, infecções urinárias recorrentes, e para detectar cicatrizes renais ou malformações congênitas do trato urinário.

Como a cintilografia renal com DMSA ajuda no manejo de crianças com infecção urinária?

Ela permite identificar lesões parenquimatosas renais, como cicatrizes, que são fatores de risco para hipertensão e doença renal crônica. Isso auxilia na estratificação de risco e na decisão sobre profilaxia antibiótica ou investigação adicional.

Qual a diferença entre a Uretrocistografia Miccional (UCGM) e a cintilografia com DMSA na investigação de infecção urinária pediátrica?

A UCGM é o padrão-ouro para diagnosticar e graduar o refluxo vesicoureteral, enquanto a cintilografia com DMSA é o padrão-ouro para avaliar o parênquima renal e identificar pielonefrite aguda ou cicatrizes renais.

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