Cilindros Leucocitários: Indício de Pielonefrite e Abscesso Renal

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Uma paciente de dezenove anos de idade foi encaminhada a um serviço de emergência por apresentar, havia duas horas, quadro clínico constituído por náuseas, vômitos e alteração do nível de consciência. O clínico foi informado de que havia três dias a paciente queixou-se de febre associada a calafrios e dor localizada em flanco direito. O exame físico de admissão mostrou temperatura de 38 ºC, frequência cardíaca de 120 bpm, pressão arterial de 90 mmHg × 40 mmHg e frequência respiratória de 30 irpm. A paciente apresentava pele fria e ressecada, respiração do tipo Kussmaul e dor a punho percussão do flanco direito. Os exames laboratoriais mostraram os seguintes resultados: leucócitos de 16.000/mm³ (sem desvio à esquerda); concentração normal de hemoglobina e contagem de hemácias dentro da normalidade para o sexo e faixa etária da paciente; glicose de 800 mg/dL; sódio de 124 mEq/L; potássio de 3,4 mEq/L; cloro de 98 mEq/L; ureia de 50 mg/dL; e creatinina de 1,5 mg/L. A gasometria arterial apresentou: pH = 7,20; PaO₂ = 90 mmHg; PaCO₂ = 30 mmHg; bicarbonato = 6 mEq/L e BE = !10. O raio X de tórax não revelou alterações e o EAS demonstrou presença de cilindros leucocitários e de hematúria maciça.Considerando o caso clínico acima apresentado, julgue o item a seguir.Os cilindros leucocitários encontrados no EAS são um forte indício de abscesso renal.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Cilindros leucocitários no EAS + dor flanco + febre = pielonefrite/abscesso renal, indicando inflamação parenquimatosa.

Resumo-Chave

A presença de cilindros leucocitários no exame de urina é patognomônica de inflamação no parênquima renal, indicando uma infecção do trato urinário superior, como pielonefrite aguda ou, em um contexto de sepse e dor em flanco, um abscesso renal.

Contexto Educacional

O caso clínico apresenta uma paciente jovem com cetoacidose diabética grave precipitada por uma infecção. A presença de febre, calafrios, dor em flanco e dor à punho percussão do flanco direito, juntamente com achados de sepse, sugere fortemente uma infecção do trato urinário superior, como pielonefrite aguda. A urinálise é uma ferramenta diagnóstica crucial nesse contexto. Os cilindros leucocitários são estruturas microscópicas formadas nos túbulos renais pela aglutinação de leucócitos em uma matriz proteica (proteína de Tamm-Horsfall). Sua presença no exame de urina é um achado de grande valor diagnóstico, pois indica inflamação ativa do parênquima renal, sendo patognomônica de pielonefrite aguda ou outras nefrites intersticiais. Em um cenário de infecção grave e dor localizada, como o descrito, são um forte indício de abscesso renal. A hematúria maciça também pode estar presente em casos de pielonefrite grave ou abscesso renal. O diagnóstico de abscesso renal é confirmado por exames de imagem, como tomografia computadorada. O manejo envolve tratamento da cetoacidose diabética, antibioticoterapia de amplo espectro e, se abscesso confirmado, drenagem percutânea ou cirúrgica, dependendo do tamanho e localização.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre cilindros leucocitários e piúria na urinálise?

A piúria (leucócitos na urina) indica inflamação em qualquer parte do trato urinário. Os cilindros leucocitários, por serem formados nos túbulos renais, indicam especificamente inflamação ou infecção no parênquima renal (pielonefrite, nefrite intersticial).

Quais outros achados laboratoriais sugerem pielonefrite ou abscesso renal?

Além dos cilindros leucocitários, a pielonefrite e o abscesso renal podem apresentar leucocitose com desvio à esquerda, aumento de PCR e VHS, e urocultura positiva. A imagem (TC ou US) é essencial para o diagnóstico de abscesso.

Como a cetoacidose diabética pode influenciar o quadro clínico de uma infecção renal?

A cetoacidose diabética (CAD) pode ser precipitada por infecções, como a pielonefrite, e agrava o quadro geral do paciente, levando a desidratação, distúrbios eletrolíticos e acidose metabólica, mascarando ou intensificando os sintomas da infecção.

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