MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Uma mulher de 68 anos, com diagnóstico de hipercifose torácica e escoliose idiopática grave desde a adolescência, procura o ambulatório com queixas de dispneia progressiva aos esforços e fadiga. Ao exame físico, observa-se uma deformidade acentuada da caixa torácica, com redução da expansibilidade global. Exames de função pulmonar revelam uma capacidade vital reduzida e um volume residual preservado, configurando um padrão restritivo extrapulmonar. Considerando a mecânica respiratória dessa paciente, qual alteração fisiológica é o determinante primário do aumento do trabalho respiratório?
Em doenças da parede torácica (como obesidade mórbida ou cifoescoliose), o pulmão pode ser normal, mas o 'custo de oxigênio' para mover a caixa torácica é altíssimo, levando à falência muscular respiratória.
A cifoescoliose idiopática grave altera drasticamente a geometria da caixa torácica, resultando em um distúrbio ventilatório restritivo de origem extrapulmonar. A principal alteração fisiopatológica é a redução da complacência da parede torácica; o tórax torna-se rígido, exigindo que o paciente gere pressões transrespiratórias significativamente maiores para manter volumes correntes adequados. Com o tempo, essa sobrecarga mecânica leva à fadiga muscular crônica e hipoventilação alveolar. Além da restrição mecânica, há uma ventilação desigual que prejudica a relação ventilação-perfusão (V/Q), contribuindo para a hipoxemia. O manejo clínico foca na prevenção de infecções respiratórias e suporte ventilatório não invasivo (VNI) em casos avançados com hipercapnia.
Uma parede torácica mais rígida ou pesada tende a 'empurrar' o pulmão para baixo, reduzindo o volume de ar que sobra após uma expiração normal (CRF).
Como o trabalho para respirar é muito alto, o corpo 'escolhe' respirar menos (volumes correntes baixos) para poupar energia, o que prejudica a eliminação do CO2.
Secundariamente sim. Devido aos baixos volumes crônicos, áreas do pulmão podem sofrer microatelectasias, o que acaba reduzindo também a complacência do pulmão a longo prazo.
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