CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a alternativa correta sobre a ciclofotocoagulação transescleral:
Ciclofotocoagulação transescleral → Reduz PIO via destruição do corpo ciliar; picos hipertensivos pós-op são raros.
A ciclofotocoagulação transescleral utiliza laser para destruir parte do corpo ciliar, sendo eficaz em glaucomas refratários com perfil de segurança favorável quanto a picos de PIO.
A ciclofotocoagulação transescleral representa uma ferramenta vital no arsenal do glaucomatologista, especialmente para casos complexos onde a cirurgia convencional (trabeculectomia ou tubos de drenagem) falhou ou não é viável. O procedimento é rápido e pode ser realizado sob anestesia retrobulbar ou peribulbar. A técnica evoluiu da ciclocrioterapia (congelamento) para o laser de diodo contínuo e, mais recentemente, para o laser micropulsado, que oferece um perfil de segurança ainda maior ao evitar o dano térmico excessivo aos tecidos adjacentes, mantendo a eficácia na redução da pressão intraocular.
O procedimento utiliza um laser de diodo (geralmente 810 nm) aplicado através da esclera sobre os processos ciliares. A energia do laser é absorvida pela melanina no epitélio pigmentado do corpo ciliar, causando destruição térmica do tecido. Isso resulta em uma redução direta na produção de humor aquoso, levando à diminuição da pressão intraocular (PIO). É considerado um procedimento ciclodestrutivo.
Historicamente, era reservada para casos de glaucoma terminal com baixo potencial visual (olhos com visão de 'percepção luminosa' ou pior) e dor ocular. No entanto, com o advento de técnicas como a micropulsada, as indicações se expandiram para glaucomas refratários a cirurgias filtrantes ou em pacientes sem condições clínicas para cirurgias incisionais, independentemente da acuidade visual.
Embora a alternativa correta aponte que a elevação transitória da PIO é infrequente, outras complicações incluem inflamação intraocular (uveíte), dor (geralmente controlada com medicação), hipotonia ocular, tise bulbar (em casos de destruição excessiva) e redução da acuidade visual. Comparada à ciclocrioterapia, a ciclofotocoagulação a laser apresenta menor incidência de dor intensa e inflamação severa.
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