HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Mulher, 19 anos, vem à consulta programada com seu médico de família para abordagem familiar. Na entrevista, as seguintes informações são obtidas: a paciente índice é solteira, tem duas filhas de 3 e 1 anos, de pais diferentes. Mora com sua mãe de 40 anos, separada, com a qual tem uma relação conflituosa, e com um irmão de 18 anos, solteiro e gari, na casa da avó de 68 anos, viúva. O irmão tem um filho de 3 meses que não mora com ele. A paciente está desempregada, assim como sua mãe, e a família tem como principal renda a aposentadoria da avó. Em relação ao ciclo de vida dessa família, afirma-se:I. Apresenta número menor de etapas de desenvolvimento decorrentes do processo de adaptação.II. Encontra-se no estágio 1 - adolescentes/ adulto jovem solteiro.III. Não é possível construir um genograma com informações de apenas 4 gerações. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
Famílias com eventos não normativos (ex: gravidez na adolescência) podem ter etapas do ciclo de vida familiar 'puladas' ou aceleradas.
O ciclo de vida familiar tradicional descreve etapas esperadas, mas famílias com eventos como gravidez precoce ou divórcio podem ter um número menor de etapas de desenvolvimento ou uma transição acelerada entre elas, devido à necessidade de adaptação rápida a novas configurações e responsabilidades.
O conceito de ciclo de vida familiar descreve uma sequência de estágios previsíveis que a maioria das famílias atravessa, cada um com tarefas de desenvolvimento específicas e potenciais crises normativas. No entanto, a realidade de muitas famílias, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, é mais complexa e pode desviar-se desse modelo idealizado. A fisiopatologia, nesse contexto, não é biológica, mas sim psicossocial, referindo-se à dinâmica e adaptação familiar. Eventos como gravidez na adolescência, separações ou desemprego são considerados crises não normativas que podem levar a uma reestruturação do ciclo de vida, com etapas sendo 'puladas' ou aceleradas devido à necessidade de adaptação rápida às novas responsabilidades e configurações. A compreensão do ciclo de vida familiar e suas variações é fundamental para o médico de família, pois permite identificar pontos de estresse, avaliar recursos e planejar intervenções que apoiem a família em suas transições. Ferramentas como o genograma e o ecomapa são essenciais para mapear a estrutura e as relações familiares, fornecendo um panorama completo para uma abordagem integral.
Os estágios tradicionais do ciclo de vida familiar incluem o jovem adulto solteiro, o casamento, a família com filhos pequenos, a família com adolescentes, a família no 'lançamento' dos filhos e a família no estágio tardio da vida.
Eventos não normativos, como gravidez na adolescência ou divórcio, podem acelerar, pular ou modificar as etapas do ciclo de vida familiar, exigindo adaptações rápidas e gerando crises não previsíveis.
O genograma é uma ferramenta gráfica que representa a estrutura familiar, as relações e os eventos importantes ao longo de várias gerações, auxiliando na compreensão dos padrões familiares e dinâmicas de saúde e doença.
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