SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Adolescente, 15 anos de idade, vai em ginecologista referindo irregularidade menstrual. Menarca: 14 anos de idade. Nunca teve relações sexuais. Refere fluxo menstrual normal e nega dismenorreia. Trouxe anotações com os ciclos dos últimos meses e seus intervalos entre as menstruações:Considerando que essa é a primeira consulta ginecológica da paciente, o médico deve, também, orientar a paciente quanto à fisiologia do ciclo reprodutivo feminino.Esclarecer para a paciente que a primeira fase do ciclo ovariano e a do ciclo uterino estão representadas, respectivamente, pelas denominações
Ciclo Ovariano (Folicular/Lútea) vs Ciclo Uterino (Proliferativa/Secretora).
A primeira fase do ciclo é dominada pelo estrogênio, resultando na maturação folicular no ovário e na proliferação endometrial no útero.
O ciclo menstrual é um processo coordenado que envolve interações hormonais complexas entre o hipotálamo (GnRH), a hipófise anterior (FSH e LH) e os ovários (estrogênio e progesterona). O ciclo é didaticamente dividido em duas metades pela ovulação. Na primeira metade, o FSH estimula o crescimento folicular; o folículo dominante produz estradiol, que exerce feedback positivo para o pico de LH, desencadeando a ovulação. No endométrio, essas variações hormonais ditam as fases proliferativa (estrogênica) e secretora (progestacional). A compreensão dessas fases é fundamental para o diagnóstico de distúrbios menstruais, infertilidade e para a prescrição adequada de anticoncepcionais. Na adolescência, o foco clínico deve ser a diferenciação entre a imaturidade fisiológica do eixo e patologias como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).
Embora ocorram simultaneamente na primeira metade do ciclo menstrual, os termos referem-se a órgãos distintos. A 'fase folicular' descreve os eventos no ovário, onde o recrutamento e crescimento de folículos ocorrem sob influência do FSH, culminando na seleção do folículo dominante. Já a 'fase proliferativa' descreve os eventos no útero (endométrio), onde o estrogênio produzido pelos folículos ovarianos estimula a regeneração e o crescimento da camada funcional do endométrio após a menstruação. Ambas terminam com a ovulação.
Nos primeiros 2 a 3 anos após a menarca, a irregularidade menstrual é frequentemente fisiológica devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Frequentemente ocorrem ciclos anovulatórios, onde não há formação de corpo lúteo e, consequentemente, não há produção de progesterona. Sem a oposição da progesterona, o endométrio prolifera sob estímulo estrogênico contínuo até que descama de forma irregular. Com o amadurecimento do feedback hormonal, os ciclos tendem a se tornar ovulatórios e regulares.
A segunda fase do ciclo é a fase lútea (no ovário) e fase secretora (no útero). Após a ovulação, o folículo remanescente se transforma no corpo lúteo, que passa a secretar grandes quantidades de progesterona (além de estrogênio). A progesterona interrompe a proliferação endometrial e induz mudanças secretoras nas glândulas e estroma uterinos, preparando o ambiente para a implantação de um eventual blastocisto. Se não houver fecundação, o corpo lúteo regride, os níveis hormonais caem e ocorre a menstruação.
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