CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Em relação à ciclite heterocrômica de Fuchs assinale a alternativa correta:
Fuchs = Uveíte crônica assintomática + sem sinéquias + glaucoma desproporcional à inflamação.
A Síndrome de Fuchs é uma uveíte anterior crônica, geralmente unilateral e insidiosa, onde o glaucoma e a catarata são complicações frequentes que não guardam relação direta com a intensidade da inflamação.
A Ciclite Heterocrômica de Fuchs é uma entidade singular no espectro das uveítes. Sua etiologia permanece debatida, com teorias sugerindo associação com o vírus da rubéola ou disfunção simpática. O manejo clínico difere drasticamente de outras uveítes anteriores: o uso de corticoides tópicos deve ser evitado ou minimizado, pois não elimina as células na câmara anterior e acelera a formação de catarata subcapsular posterior e o aumento da PIO. O prognóstico visual geralmente é bom com a cirurgia de catarata, que costuma ser bem tolerada, apesar do risco de hifema filiforme durante a cirurgia. No entanto, o monitoramento vitalício da pressão intraocular é obrigatório, dado o caráter insidioso e progressivo do glaucoma associado, que pode levar à escavação total do nervo óptico sem que o paciente perceba sintomas inflamatórios.
A Ciclite Heterocrômica de Fuchs caracteriza-se por ser uma uveíte anterior crônica, geralmente unilateral e de início insidioso. Os sinais clássicos incluem heterocromia da íris (o olho afetado costuma ser mais claro devido à atrofia do estroma), precipitados ceráticos (PKs) finos, estrelados e distribuídos difusamente por todo o endotélio corneano, e ausência de sinéquias posteriores (mesmo após anos de inflamação). O paciente costuma ser assintomático até desenvolver catarata ou glaucoma.
O glaucoma ocorre em cerca de 15-60% dos casos e é a principal causa de perda visual permanente. Diferente de outras uveítes, a magnitude da elevação da pressão intraocular (PIO) não corresponde ao grau de inflamação visível na câmara anterior. O mecanismo envolve alterações trabeculares degenerativas e não a formação de sinéquias ou membranas. Além disso, o glaucoma de Fuchs costuma ser resistente ao tratamento clínico, frequentemente exigindo intervenção cirúrgica.
O diagnóstico diferencial é feito pela ausência de sintomas agudos (olho calmo, sem dor ou fotofobia importante), pela distribuição difusa dos PKs (em vez de estarem apenas no triângulo de Arlt) e, crucialmente, pela ausência de sinéquias posteriores. A presença de vasos anormais no ângulo (sinal de Amsler) que podem sangrar ao realizar paracentese ou cirurgia também é sugestiva. A heterocromia pode ser sutil ou ausente em olhos castanhos escuros, exigindo exame cuidadoso sob lâmpada de fenda.
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