Ciclite Heterocrômica de Fuchs: Sinais Clínicos e Manejo

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Sobre a ciclite heterocrômica de Fuchs, pode-se afirmar:

Alternativas

  1. A) Afeta principalmente pacientes na primeira década de vida.
  2. B) Os precipitados ceráticos finos que não respeitam a distribuição Triangular de Von Arlt distinguem a doença.
  3. C) Afeta quase exclusivamente mulheres.
  4. D) Casos unilaterais são muito raros.

Pérola Clínica

Ciclite de Fuchs → Precipitados ceráticos finos e difusos + Heterocromia + Ausência de sinéquias posteriores.

Resumo-Chave

A Ciclite Heterocrômica de Fuchs é uma uveíte anterior crônica, geralmente unilateral e de baixo grau, caracterizada por atrofia iriana e precipitados ceráticos que recobrem todo o endotélio corneano.

Contexto Educacional

A Ciclite Heterocrômica de Fuchs acomete tipicamente adultos jovens (3ª e 4ª décadas) e é unilateral em 90% dos casos. Uma característica negativa importante é a ausência de sinéquias posteriores, mesmo após anos de inflamação crônica, o que ajuda no diagnóstico diferencial com outras uveítes anteriores. Fisiopatologicamente, suspeita-se de uma associação com o vírus da rubéola ou disfunção do sistema nervoso simpático, embora a etiologia exata permaneça incerta. O diagnóstico é puramente clínico, baseado na lâmpada de fenda, e o prognóstico visual costuma ser bom após a correção das complicações secundárias.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza os precipitados ceráticos na Ciclite de Fuchs?

Diferente da maioria das uveítes, onde os precipitados ceráticos (PKs) se concentram na metade inferior da córnea (Triângulo de Von Arlt), na Ciclite de Fuchs os PKs são finos, brancos, estrelados e distribuídos de forma difusa por todo o endotélio corneano. Eles podem estar conectados por finas fibrilas de fibrina.

Como ocorre a heterocromia nesta patologia?

A heterocromia resulta da atrofia do estroma iriano e da perda de pigmento. Geralmente, o olho afetado torna-se mais hipocrômico (mais claro). No entanto, em pacientes com olhos muito claros, a perda do estroma anterior pode expor o epitélio pigmentar posterior, fazendo com que o olho afetado pareça paradoxalmente mais escuro.

Quais as complicações mais frequentes e como tratá-las?

As principais complicações são a catarata subcapsular posterior (presente em quase todos os casos com o tempo) e o glaucoma secundário (em cerca de 15-60% dos casos). O tratamento não foca na inflamação (que é assintomática e resistente a corticoides), mas sim no manejo cirúrgico da catarata e no controle clínico ou cirúrgico da pressão intraocular.

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