UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Em pós-operatório, paciente apresentou formação de queloide em ferida cirúrgica. Pode-se afirmar que uma das características dessa cicatrização anormal é a:
Queloide = ultrapassa limites da ferida + não regride + feixes espessos de colágeno.
Queloides e cicatrizes hipertróficas diferem pela extensão além da ferida original e pela organização histológica das fibras de colágeno, sendo o queloide mais desorganizado.
A cicatrização é um processo complexo dividido em fases inflamatória, proliferativa e de remodelamento. O queloide representa uma falha no equilíbrio entre a síntese e a degradação do colágeno, resultando em um crescimento excessivo de tecido conjuntivo. É mais frequente em indivíduos de fototipos mais altos e possui um componente genético importante. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a compreensão histopatológica é fundamental para diferenciar de outras dermatofibroses. O tratamento envolve desde corticoterapia intralesional e criocirurgia até radioterapia (betaterapia) em casos selecionados, visando reduzir a taxa de recorrência que é significativamente alta.
A principal diferença clínica reside na extensão da lesão em relação à ferida original. O queloide ultrapassa as bordas da cicatriz inicial, invadindo o tecido adjacente normal, e raramente regride espontaneamente. Já a cicatriz hipertrófica permanece confinada aos limites da ferida original e tende a apresentar uma regressão parcial ou total ao longo do tempo, embora possa ser elevada e avermelhada inicialmente.
Histologicamente, o queloide é caracterizado pela presença de feixes espessos, hialinizados e desorganizados de colágeno (principalmente tipo I e III), dispostos de forma aleatória. Há uma abundância de fibroblastos e uma matriz extracelular rica em glicosaminoglicanos. Diferente da cicatriz hipertrófica, onde as fibras de colágeno tendem a se organizar de forma mais paralela à superfície da epiderme.
Embora possam ocorrer em qualquer lugar, os queloides têm predileção por áreas de maior tensão cutânea e alta densidade de melanócitos. Os locais mais comuns incluem a região pré-esternal, ombros (região deltoide), porção superior das costas e lóbulos das orelhas. A ocorrência em face e membros superiores não é incomum, ao contrário do que sugerem alguns mitos clínicos.
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