ENARE/ENAMED — Prova 2025
Em relação à cicatrização de feridas, é correto afirmar que:
Cicatrização: Inflamatória → Proliferativa → Maturação (equilíbrio síntese/degradação de colágeno após 4 sem).
A cicatrização é um processo dinâmico onde o colágeno tipo III inicial é substituído pelo tipo I durante o remodelamento, atingindo um equilíbrio metabólico após cerca de um mês.
O entendimento da biologia da cicatrização é essencial para qualquer especialidade cirúrgica. A orquestração celular começa com os macrófagos, que são considerados as células 'regentes' do processo, pois liberam citocinas que recrutam fibroblastos e estimulam a angiogênese. Diferente do que se pensa, os linfócitos têm papel secundário na fase inicial, embora participem da modulação tardia. Fatores sistêmicos como diabetes, tabagismo, uso de corticoides e desnutrição interferem diretamente nessas fases, prolongando a fase inflamatória ou prejudicando a fibroplasia. O conhecimento de que a força tênsil máxima demora meses para ser atingida justifica o cuidado com as suturas e a escolha de materiais de síntese adequados para cada tecido, respeitando o tempo biológico de maturação da cicatriz.
A cicatrização divide-se em três fases principais: 1) Inflamatória (0-4 dias), caracterizada por hemostasia (plaquetas) e recrutamento de neutrófilos e macrófagos para limpeza da ferida. 2) Proliferativa (4-21 dias), onde ocorre a angiogênese, fibroplasia (produção de colágeno tipo III) e epitelização. 3) Maturação ou Remodelamento (a partir de 21 dias), onde o colágeno tipo III é substituído pelo tipo I, mais resistente, e as fibras se reorganizam. É importante notar que essas fases se sobrepõem e não são eventos isolados.
O colágeno tipo III é produzido rapidamente pelos fibroblastos durante a fase proliferativa para formar o tecido de granulação inicial; ele é mais fino e menos organizado. Durante a fase de maturação, ocorre a lise desse colágeno por colagenases e a síntese de colágeno tipo I, que possui fibras mais espessas e maior capacidade de formar pontes cruzadas, conferindo maior força tênsil à cicatriz. Mesmo após o remodelamento completo, a pele cicatrizada recupera apenas cerca de 80% da força tênsil original da pele íntegra.
Após aproximadamente 4 semanas do início da lesão, a taxa de síntese de colágeno começa a declinar em relação ao pico da fase proliferativa. Nesse estágio, entra-se em um estado de equilíbrio dinâmico onde a quantidade de colágeno produzido é balanceada pela sua degradação enzimática (pelas metaloproteinases da matriz). Esse processo de 'turnover' é o que permite o remodelamento da cicatriz, tornando-a mais plana, clara e resistente ao longo dos meses. Se houver um desequilíbrio com excesso de síntese, podem surgir cicatrizes hipertróficas ou queloides.
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