MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um paciente de 68 anos, portador de insuficiência venosa crônica grave, apresenta uma úlcera de estase em região maleolar medial há 8 meses, sem sinais de progressão para o fechamento. A análise imuno-histoquímica do fluido da ferida e do tecido perilesional revela uma densidade acentuada de macrófagos expressando marcadores CD80+ e iNOS (óxido nítrico sintase induzível), acompanhada de níveis elevados de TNF-α e IL-1β. Observa-se, concomitantemente, uma escassez de células expressando CD163 e Arginase-1 (Arg-1). Apesar da presença de fibroblastos na periferia da lesão, a formação de um leito capilar organizado e a deposição de matriz colágena são mínimas. Com base na fisiologia da cicatrização, a interrupção cronológica do reparo tecidual nesse cenário é explicada primariamente por qual falha mecanística?
Em feridas que não cicatrizam (crônicas), o problema raramente é a falta de inflamação, mas sim a incapacidade do tecido de 'resolver' a inflamação e transitar para a fase proliferativa, frequentemente devido ao aprisionamento fenotípico dos macrófagos no estado pró-inflamatório M1.
O processo de cicatrização é uma cascata orquestrada dividida em fases: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelamento. Os macrófagos são células centrais nessa transição, atuando inicialmente como M1 para limpar detritos e patógenos através da liberação de radicais livres e citocinas inflamatórias. Em feridas crônicas, como as úlceras de estase venosa, ocorre um aprisionamento na fase inflamatória. O acúmulo de ferro tecidual e a hipóxia crônica mantêm os macrófagos no fenótipo M1. Sem a transição para o fenótipo M2, que secreta fatores de crescimento como TGF-β e VEGF, não há estímulo adequado para fibroblastos e células endoteliais. O tratamento dessas lesões foca em reverter o ambiente inflamatório, seja através de compressão elástica, desbridamento de tecidos desvitalizados ou curativos avançados que modulam o exsudato, permitindo que o ciclo de reparo natural seja retomado.
A transição é estimulada principalmente por citocinas anti-inflamatórias como IL-4, IL-10 e IL-13, além da fagocitose de células mortas (eferocitose), que sinaliza ao macrófago que a limpeza foi concluída.
O refluxo venoso causa extravasamento de hemácias; a degradação destas libera ferro livre no tecido, que é um potente estímulo para manter os macrófagos no estado pró-inflamatório M1.
A iNOS (M1) usa arginina para produzir Óxido Nítrico, que mata bactérias mas causa dano tecidual. A Arginase-1 (M2) usa arginina para produzir prolina, que é um aminoácido essencial para a estrutura do colágeno.
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