UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
A respeito dos eventos celulares e moleculares envolvidos na fase inflamatória da cicatrização de feridas, assinale a alternativa que melhor descreve o papel dos macrófagos no controle da resposta inflamatória e nos processos subsequentes de reparo tecidual:
Macrófagos = Orquestradores da cicatrização; limpam detritos e sinalizam (TGF-β/PDGF) para fibroblastos e vasos.
Os macrófagos são essenciais na transição inflamação-proliferação, realizando o debridamento biológico e secretando fatores de crescimento que recrutam fibroblastos e estimulam a angiogênese.
A cicatrização é um processo dinâmico dividido em fases: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação. Os macrófagos surgem como protagonistas após o pico inicial de neutrófilos. Eles não apenas limpam o campo de batalha celular (fagocitose de neutrófilos apoptóticos e debris), mas também interpretam o microambiente para iniciar a reconstrução.\n\nA liberação de citocinas como PDGF-BB e TGF-β é o gatilho molecular para a fase proliferativa. O PDGF atua no recrutamento celular, enquanto o TGF-β é o principal estímulo para a produção de colágeno. Compreender essa biologia é fundamental para o manejo de feridas crônicas, onde essa transição fenotípica dos macrófagos costuma estar prejudicada.
Durante a cicatrização, os macrófagos exibem plasticidade funcional. Inicialmente, predominam os macrófagos M1 (pró-inflamatórios), que auxiliam na eliminação de patógenos e debridamento. Posteriormente, ocorre uma transição para o fenótipo M2 (anti-inflamatório/reparador), que secreta citocinas como IL-10 e fatores de crescimento (TGF-β, VEGF), promovendo a síntese de matriz extracelular, fibroplasia e angiogênese.
Os macrófagos liberam mediadores potentes como o TGF-β (Fator de Crescimento Transformador beta) e o PDGF (Fator de Crescimento Derivado de Plaquetas). Essas moléculas sinalizam aos fibroblastos locais e circulantes para que migrem para o leito da ferida, proliferem e iniciem a produção de colágeno tipo III e outros componentes da matriz, essenciais para a formação do tecido de granulação.
Estudos experimentais mostram que a ausência de macrófagos interrompe o processo de cicatrização. A ferida permanece estagnada na fase inflamatória, com debridamento inadequado, ausência de proliferação de fibroblastos, falha na angiogênese e, consequentemente, não ocorre o fechamento da ferida. Isso demonstra que eles são os principais reguladores da transição para o reparo tecidual.
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