SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 55 anos de idade, procura o ambulatório de cirurgia geral com queixa de ferida em perna direita há 4 meses após trauma contuso. O paciente relata que sofreu trauma contuso na região anterior da perna direita, que causou perda de pele. Nega dor ou outros sintomas no momento. Ao exame físico, bom estado geral; afebril; presença de ferida de cerca de 5x5cm na região ântero-lateral da perna direita, com perda da cobertura cutânea sem exposição óssea, sem sinais flogísticos, com leito avermelhado e algumas áreas esbranquiçadas, sem tecido necrótico. Diante desse caso clínico:Indique as citocinas e/ou fatores de crescimento que estão aumentados na ferida deste paciente neste momento.
Feridas crônicas = ↑ Citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1, IL-6) + ↑ Metaloproteinases.
Feridas que não progridem para a fase proliferativa geralmente apresentam um microambiente hostil com excesso de citocinas pró-inflamatórias, que degradam fatores de crescimento e a matriz extracelular.
A cicatrização é um processo dinâmico dividido em fases: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação. O caso clínico descreve uma ferida que, apesar do leito avermelhado, persiste por 4 meses (crônica). O entendimento bioquímico do exsudato dessas feridas é essencial para o desenvolvimento de curativos inteligentes e terapias biológicas. O desequilíbrio entre proteases e inibidores de proteases é a marca registrada da cronicidade.
Em feridas crônicas ou com atraso na cicatrização, observa-se um predomínio de citocinas pró-inflamatórias, especificamente o TNF-alfa (Fator de Necrose Tumoral alfa), a IL-1 (Interleucina-1) e a IL-6. Essas moléculas perpetuam a fase inflamatória, recrutando mais neutrófilos e macrófagos que liberam metaloproteinases de matriz (MMPs). O excesso de MMPs degrada a matriz extracelular e os fatores de crescimento necessários para a fibroplasia e angiogênese.
O TNF-alfa é uma citocina chave na resposta inflamatória inicial. Em níveis fisiológicos, estimula a limpeza de debris, mas em níveis persistentemente elevados, como em feridas crônicas, ele inibe a proliferação de fibroblastos e aumenta a produção de enzimas que destroem o colágeno. Isso impede a formação de tecido de granulação saudável, mantendo a ferida estagnada.
Feridas agudas apresentam um pico transitório de citocinas pró-inflamatórias seguido por um aumento de citocinas anti-inflamatórias (como IL-10) e fatores de crescimento (como TGF-beta, PDGF, EGF). Feridas crônicas falham nessa transição, mantendo níveis elevados de mediadores inflamatórios e baixos níveis de fatores de crescimento bioativos, resultando em um ciclo vicioso de inflamação e destruição tecidual.
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