IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022
Um recém-nascido com peso de 3.100 g apresenta taquipneia e cianose central. Ao exame: hidratado, com murmúrio vesicular audível bilateralmente e ausência de sopro cardíaco. O oxímetro de pulso mostra uma saturação de 86%. Após vinte minutos de oxigenoterapia, a saturação atinge o valor de 88%. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
RN com cianose central e baixa resposta à oxigenoterapia (teste de hiperóxia negativo) → forte suspeita de cardiopatia congênita cianótica.
A cianose central em recém-nascido, acompanhada de taquipneia e baixa saturação de oxigênio que não melhora significativamente com a administração de oxigênio (teste de hiperóxia negativo), é um sinal de alerta para cardiopatia congênita cianótica. A ausência de sopro não exclui o diagnóstico.
A cianose central em um recém-nascido é um sinal de alarme que exige investigação imediata, pois pode indicar uma condição grave com risco de vida. É caracterizada pela coloração azulada da pele e mucosas, resultante de uma concentração aumentada de hemoglobina reduzida no sangue arterial. As principais causas de cianose neonatal incluem doenças pulmonares, cardiopatias congênitas cianóticas, sepse, distúrbios metabólicos e doenças neurológicas. No caso apresentado, a presença de cianose central, taquipneia e uma saturação de oxigênio persistentemente baixa (86%, com pouca melhora para 88% após oxigenoterapia) é altamente sugestiva de uma cardiopatia congênita cianótica. Este cenário é classicamente conhecido como um "teste de hiperóxia" negativo ou inconclusivo, onde a administração de oxigênio suplementar não consegue elevar significativamente a saturação arterial, indicando um shunt direito-esquerdo significativo. A ausência de sopro cardíaco não deve ser utilizada para excluir o diagnóstico de cardiopatia congênita cianótica, pois muitas delas, como a Transposição das Grandes Artérias (TGA), podem não apresentar sopro ao nascimento. O diagnóstico diferencial deve ser feito rapidamente, e a confirmação geralmente envolve ecocardiograma. A conduta inicial inclui estabilização do paciente, manutenção da permeabilidade do canal arterial (se necessário, com prostaglandina E1) e encaminhamento para avaliação cardiológica especializada.
O teste de hiperóxia consiste em administrar oxigênio a 100% por 10-15 minutos e reavaliar a saturação. Se a saturação permanecer abaixo de 90-95% (ou não houver aumento significativo), sugere-se uma causa cardíaca (shunt direito-esquerdo) ou pulmonar grave, sendo um forte indicativo de cardiopatia congênita cianótica.
As principais incluem Transposição das Grandes Artérias (TGA), Tetralogia de Fallot (TF), Atresia Tricúspide, Anomalia de Ebstein grave e Tronco Arterioso. A TGA é a mais comum a se apresentar com cianose grave no período neonatal.
Não, a ausência de sopro não exclui. Muitas cardiopatias cianóticas graves, como a Transposição das Grandes Artérias, podem não apresentar sopro significativo ao nascimento, especialmente se não houver outras anomalias associadas que gerem fluxo turbulento.
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