Choque Séptico Refratário: Manejo com Vasopressores

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 70 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial, é admitido na UTI com diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade. Ele está febril, com temperatura de 39,2°C, frequência cardíaca de 130 bpm, pressão arterial de 85/50 mmHg, e frequência respiratória de 28 rpm. A gasometria arterial revela acidose metabólica com lactato de 4,5 mmol/L. Apesar de receber 30 mL/kg de fluidos intravenosos isotônicos, a pressão arterial do paciente permanece baixa, com sinais clínicos de hipoperfusão, incluindo oligúria e extremidades frias. O paciente está intubado e sob ventilação mecânica.De acordo com as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign de 2023, qual é a abordagem terapêutica mais indicada para este paciente com choque séptico refratário à reposição volêmica inicial?

Alternativas

  1. A) Iniciar norepinefrina como vasopressor de primeira linha e considerar adicionar vasopressina ou epinefrina se necessário.
  2. B) Iniciar dobutamina para melhorar o débito cardíaco e perfusão tecidual.
  3. C) Continuar a infusão de fluidos intravenosos até que o lactato normalize.
  4. D) Administrar corticoides intravenosos de alta dose para controlar a resposta inflamatória.
  5. E) Instituir hemodiálise precoce para manejo de oligúria e acidose.

Pérola Clínica

Choque séptico refratário a fluidos → Norepinefrina 1ª linha; considerar vasopressina/epinefrina se persistir.

Resumo-Chave

Em choque séptico, após a reposição volêmica inicial (30 mL/kg), se a hipotensão e os sinais de hipoperfusão persistirem, a norepinefrina é o vasopressor de escolha para restaurar a pressão arterial e a perfusão. Vasopressina ou epinefrina podem ser adicionadas para otimizar a resposta.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição grave de disfunção orgânica com risco de vida, causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É caracterizado por hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar da reposição volêmica adequada. A identificação precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos. A fisiopatologia envolve vasodilatação periférica, disfunção miocárdica e aumento da permeabilidade capilar, levando à hipoperfusão tecidual. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de sepse e evidência de disfunção orgânica. O manejo inicial inclui a administração rápida de antibióticos de amplo espectro, controle do foco infeccioso e reposição volêmica com cristaloides. As diretrizes da Surviving Sepsis Campaign 2023 recomendam a norepinefrina como vasopressor de primeira linha para o choque séptico refratário à fluidoterapia. Se a pressão arterial alvo não for alcançada, a vasopressina pode ser adicionada como segundo agente, ou a epinefrina pode ser considerada. O uso de dobutamina é reservado para casos de disfunção miocárdica com baixo débito cardíaco persistente, após otimização da volemia e pressão arterial. Corticoides são indicados apenas em pacientes que permanecem hemodinamicamente instáveis apesar de vasopressores e fluidos adequados.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar vasopressores no choque séptico?

Vasopressores devem ser iniciados quando a hipotensão persiste após a reposição volêmica inicial adequada (30 mL/kg de cristaloides) e há sinais de hipoperfusão.

Qual o vasopressor de primeira linha para choque séptico?

A norepinefrina é o vasopressor de primeira linha recomendado pelas diretrizes da Surviving Sepsis Campaign para o manejo do choque séptico.

Quais são as opções de vasopressores adicionais no choque séptico?

Se a pressão arterial alvo não for atingida com norepinefrina, pode-se adicionar vasopressina ou epinefrina para otimizar a resposta hemodinâmica.

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