Choque Séptico Refratário: Manejo com Norepinefrina

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 79 anos é admitido no pronto atendimento com um quadro de pielonefrite. Sua pressão arterial encontra-se em 80x42 mmHg, sua frequência cardíaca é de 110 bpm e frequência respiratória de 26 ipm, com presença de confusão mental. Você coleta um par de hemoculturas, inicia antibiótico e realiza expansão volêmica com solução cristalóide. Após a infusão do soro fisiológico o paciente encontra-se com crepitações bibasais e sua pressão está em 76x40 mmHg. Qual seria a conduta mais adequada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Manter a reposição volêmica e associa diurético.
  2. B) Inicia infusão de dobutamina imediatamente, com objetivo de subir a pressão arterial.
  3. C) Inicia infusão de hidrocortisona e considera troca de antimicrobiano.
  4. D) Inicia infusão de norepinefrina imediatamente, com objetivo de subir a pressão arterial.
  5. E) Inicia infusão de dopamina imediatamente e troca o antimicrobiano por vancomicina.

Pérola Clínica

Choque séptico refratário à fluidoterapia + sinais de sobrecarga volêmica → iniciar norepinefrina para manter PAM > 65 mmHg.

Resumo-Chave

Em choque séptico, após a falha da fluidoterapia inicial em restaurar a pressão arterial e com sinais de sobrecarga volêmica (crepitações bibasais), a norepinefrina é o vasopressor de primeira escolha. Seu objetivo é manter a pressão arterial média (PAM) acima de 65 mmHg, melhorando a perfusão orgânica.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de disfunção circulatória e celular/metabólica grave, caracterizada por hipotensão persistente que requer vasopressores para manter a pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de uma ressuscitação volêmica adequada. A pielonefrite é uma causa comum de sepse, especialmente em idosos. O manejo inicial envolve a identificação e tratamento da fonte de infecção, coleta de culturas e administração precoce de antibióticos de amplo espectro, além da ressuscitação volêmica. A ressuscitação volêmica com cristalóides é a primeira etapa no manejo da hipotensão. No entanto, em pacientes que permanecem hipotensos após a infusão inicial de fluidos (choque séptico refratário) e que desenvolvem sinais de sobrecarga volêmica, como crepitações bibasais, a continuidade da expansão volêmica pode ser deletéria, levando a edema pulmonar e piora da disfunção orgânica. Nesse cenário, a conduta mais adequada é iniciar imediatamente a infusão de vasopressores. A norepinefrina é o vasopressor de primeira escolha no choque séptico, devido à sua eficácia em aumentar a PAM através da vasoconstrição periférica, com um perfil de efeitos adversos favorável. O objetivo é manter a PAM acima de 65 mmHg para garantir a perfusão adequada dos órgãos vitais. Dobutamina pode ser considerada se houver disfunção miocárdica e sinais de hipoperfusão persistentes após otimização da PAM. Corticosteroides (hidrocortisona) são reservados para pacientes que permanecem em choque refratário apesar de vasopressores e fluidos adequados.

Perguntas Frequentes

Quando se deve iniciar vasopressores no choque séptico?

Vasopressores devem ser iniciados quando o paciente permanece hipotenso (PAM < 65 mmHg) apesar de uma ressuscitação volêmica adequada (geralmente 30 mL/kg de cristalóide) ou quando há sinais de sobrecarga volêmica.

Por que a norepinefrina é o vasopressor de primeira escolha no choque séptico?

A norepinefrina é preferida devido à sua potente ação alfa-adrenérgica, que aumenta a vasoconstrição e a pressão arterial, com menor efeito sobre a frequência cardíaca e menor risco de arritmias em comparação com a dopamina. Ela melhora a perfusão de órgãos vitais.

Quais são os sinais de sobrecarga volêmica em um paciente com choque séptico?

Sinais de sobrecarga volêmica incluem crepitações pulmonares, edema periférico, aumento da pressão venosa central (PVC) e, em casos graves, edema agudo de pulmão. A presença desses sinais indica a necessidade de cautela na administração de fluidos e a prioridade de vasopressores.

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