Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Pré-escolar, sexo feminino, 2 anos e 6 meses de idade, previamente hígida, chega ao pronto atendimento com quadro de febre de até 39,5°C, tosse e coriza iniciados há 36 horas, com vômitos e hiporresponsividade nas últimas 3 horas. Ao exame clínico: regular estado geral; descorada 2+/4+; FC: 170 bpm; PA: 78x44 mmHg; FR: 42 irpm; SpO₂: 90% em ar ambiente; tempo de enchimento capilar: 4 segundos; extremidades frias; pulsos filiformes. Exame pulmonar com presença de tiragem subdiafragmática leve, ausculta com murmúrios vesiculares presentes bilateralmente com sopro tubário em ápice direito. Sem outras alterações relevantes. Administrado oxigênio em máscara não reinalante com aumento da SpO2 para 95% e resolução do desconforto respiratório. Após duas tentativas, obtém-se acesso venoso periférico, sendo também colhida hemocultura. Entre as condutas listadas a seguir, qual é a primeira a ser realizada?
Hipotensão + TEC > 2s + pulsos finos em pediatria → Expansão volêmica imediata (20 mL/kg).
O reconhecimento do choque descompensado (hipotensão) exige ressuscitação volêmica agressiva imediata com cristaloides para restaurar o débito cardíaco.
O choque séptico na pediatria é uma das principais causas de mortalidade evitável. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica que leva à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica. O caso clínico apresenta uma criança com sinais clássicos de choque descompensado: hipotensão, taquicardia compensatória extrema e sinais de má perfusão periférica (TEC 4s, pulsos filiformes). As diretrizes do PALS (Pediatric Advanced Life Support) enfatizam que, após garantir a via aérea e oxigenação, a obtenção de acesso vascular e a administração de bolus de fluidos são cruciais. A escolha do cristaloide (20 mL/kg) visa restaurar o débito cardíaco. O sopro tubário sugere pneumonia como foco infeccioso, mas a prioridade zero é a estabilização hemodinâmica antes de procedimentos como VNI ou intubação, que podem agravar a hipotensão por pressão positiva intratorácica.
A dose recomendada pelo PALS e protocolos internacionais é de 20 mL/kg de cristaloide isotônico (Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato). Em pacientes com sinais de choque descompensado, essa infusão deve ser rápida, em 5 a 10 minutos, com reavaliação contínua dos sinais de sobrecarga volêmica (hepatomegalia e estertores) e melhora da perfusão (TEC, pulsos, PA).
O choque compensado mantém a pressão arterial dentro da normalidade para a idade através de mecanismos taquicárdicos e vasoconstrição periférica (TEC prolongado, extremidades frias). O choque descompensado é definido pela presença de hipotensão arterial, indicando que os mecanismos compensatórios falharam, o que representa uma emergência médica crítica.
Embora o antibiótico deva ser administrado na primeira hora, a estabilização hemodinâmica é a prioridade imediata em um paciente com hipotensão. A restauração do volume circulante efetivo é necessária para garantir a entrega de oxigênio e a própria distribuição do fármaco aos tecidos sistêmicos.
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