Choque Séptico Pediátrico: Manejo Urgente e Meningococcemia

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2023

Enunciado

Pré-escolar de 2 anos, com história de febre alta (40°C) há 12 horas e apatia. Há 2 horas a criança ficou mais sonolenta e a mãe notou surgimento de manchas avermelhadas pelo corpo. Ao exame físico a criança encontra-se em mau estado geral, agitada e confusa. Pele com sufusões hemorrágicas em tronco e membros. Frequência respiratória de 42 IRPM, saturação O2 88%, frequência cardíaca de 160 bpm, pressão arterial 55X30 mmHg, pulsos finos, extremidades frias e enchimento capilar de 4 segundos. Sobre o caso clínico 1, são feitas as assertivas seguintes: I. O paciente apresenta um quadro compatível com choque séptico com clínica sugestiva de meningococcemia. II. O tratamento inicial do quadro consiste em abertura das vias aéreas, oferta de oxigênio por máscara não-reinalante, estabelecimento de acesso vascular periférico ou intraósseo, expansão com soro fisiológico 0,9% 20 ml/kg. III. É fundamental neste caso coletar hemocultura antes do início da antibioticoterapia, podendo se postergar o início do antibiótico até que se consiga coletar a hemocultura.IV. Se os sinais de choque persistirem após 3 etapas de expansão com soro fisiológico, deverá ser iniciada amina vasoativa. Está/estão CORRETA (S) a (s) afirmativa (s):

Alternativas

  1. A) I, apenas
  2. B) II, apenas
  3. C) I e IV apenas
  4. D) I, II e IV apenas
  5. E) Todas as alternativas estão corretas

Pérola Clínica

Choque séptico pediátrico com sufusões hemorrágicas → meningococcemia. Prioridade: ABCDE, fluidos 20ml/kg, ATB precoce.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre alta, apatia, sonolência e sufusões hemorrágicas em pré-escolar é altamente sugestivo de meningococcemia com choque séptico. O manejo inicial é agressivo, focando na estabilização hemodinâmica com fluidos e início imediato de antibioticoterapia, sem atrasar para coleta de hemocultura em casos graves de choque.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave, com alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecido e tratado. A meningococcemia, causada pela Neisseria meningitidis, é uma das etiologias mais temidas devido à sua rápida progressão e potencial para purpura fulminans e disfunção de múltiplos órgãos. A identificação precoce de sinais de choque e lesões cutâneas hemorrágicas é crucial para o prognóstico. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica, resultando em hipoperfusão tecidual. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de choque (taquicardia, hipotensão, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado, extremidades frias) e, no caso da meningococcemia, nas lesões cutâneas características. O tratamento é uma corrida contra o tempo. Envolve suporte hemodinâmico agressivo com fluidos intravenosos (soro fisiológico 0,9% em bolus de 20 ml/kg), suporte respiratório com oxigênio, e antibioticoterapia empírica de amplo espectro iniciada o mais rápido possível, idealmente dentro da primeira hora, mesmo antes da coleta de culturas, se isso for atrasar o tratamento. Aminas vasoativas são indicadas se o choque persistir após a expansão volêmica adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para meningococcemia em crianças?

Sinais de alerta incluem febre alta, prostração, irritabilidade, sonolência, vômitos e, classicamente, o surgimento rápido de lesões purpúricas ou petequiais que não desaparecem à digitopressão.

Qual a conduta inicial no choque séptico pediátrico?

A conduta inicial envolve estabilização das vias aéreas (A), respiração (B) e circulação (C) com oferta de oxigênio, acesso vascular (preferencialmente intraósseo se difícil periférico), expansão volêmica com soro fisiológico 20 ml/kg e antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediata.

Quando iniciar aminas vasoativas no choque séptico pediátrico?

Aminas vasoativas devem ser iniciadas se o choque persistir após 2 a 3 bolus de expansão volêmica (totalizando 40-60 ml/kg de soro fisiológico), ou mais cedo se houver sinais de disfunção miocárdica.

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