Choque Séptico Pediátrico: Diagnóstico e Foco Urinário em Lactentes

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Em passagem de plantão, médico solicita que colega avalie criança com relato de febre e ausência de diurese em 24h. Solicitada expansão volêmica e administração de antitérmico, trata-se de criança de 2 meses, portadora de mielomeningocele, e, após administração de 40ml/kg de soro fisiológico paciente apresentava-se com FC: 190bpm, perfusão capilar de 6 segundos e sem diurese. Cobrados exames laboratoriais com hemocultura e urocultura parciais negativas; hemograma com evidência de anemia, leucocitose com desvio à esquerda; exame de urina com nitrito e leucócito esterase positivos. Sobre o quadro apresentado, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Trata-se de possível quadro de sepse (uma vez que culturas estão parciais negativas) de foco urinário. No exame de urina rotina, o nitrito positivo tem maior sensibilidade e a enzima leucócito esterase maior especificidade para diagnóstico de ITU;
  2. B) Trata-se de possível quadro de choque séptico de foco urinário. No exame de urina rotina, o nitrito positivo tem maior sensibilidade e o leucócito esterase maior especificidade para diagnóstico de ITU;
  3. C) Trata-se de possível quadro de choque séptico de foco urinário. No exame de urina rotina, o nitrito positivo tem maior especificidade e leucócito esterase maior sensibilidade para diagnóstico de ITU;
  4. D) Trata-se de possível quadro de síndrome de resposta inflamatória sistêmica e, até resultado de urocultura (exame padrão ouro para diagnóstico de ITU), não é possível determinar o foco infeccioso;
  5. E) Trata-se de possível quadro de síndrome de resposta inflamatória sistêmica de provável foco pulmonar.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave, caracterizada por disfunção cardiovascular induzida por sepse, resultando em perfusão tecidual inadequada. Lactentes, especialmente aqueles com condições predisponentes como mielomeningocele (que cursa com bexiga neurogênica e maior risco de infecções urinárias), são particularmente vulneráveis. A febre, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e oligúria persistente após expansão volêmica são sinais de alerta para choque. A fisiopatologia do choque séptico envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica. O diagnóstico de ITU é fortemente sugerido pelos resultados do exame de urina: nitrito positivo (alta especificidade, indicando bactérias gram-negativas) e leucócito esterase positiva (alta sensibilidade, indicando piúria). Embora as culturas parciais sejam negativas, o quadro clínico e os exames de urina são sugestivos de foco urinário. A conduta no choque séptico inclui estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos (conforme a resposta), antibioticoterapia empírica de amplo espectro precoce e identificação e controle do foco infeccioso. A urocultura é o padrão-ouro para confirmar a ITU, mas o tratamento não deve ser atrasado aguardando seu resultado. A correção da disfunção orgânica e o suporte intensivo são cruciais para melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para choque séptico em lactentes?

Em lactentes, o choque séptico é caracterizado por sinais de disfunção orgânica (ex: taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão tardia, oligúria) na presença de infecção suspeita ou confirmada, mesmo após expansão volêmica.

Qual a importância do nitrito e leucócito esterase no exame de urina para ITU?

O nitrito positivo indica a presença de bactérias que convertem nitrato em nitrito, tendo alta especificidade para ITU. A leucócito esterase positiva indica a presença de leucócitos na urina, com alta sensibilidade para ITU, mas menor especificidade.

Por que crianças com mielomeningocele têm maior risco de ITU?

Crianças com mielomeningocele frequentemente apresentam bexiga neurogênica, o que leva a esvaziamento vesical incompleto, estase urinária e refluxo vesicoureteral, fatores que predispõem a infecções do trato urinário recorrentes.

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