IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Menina, de 4 anos de idade, previamente hígida, é levada para a sala de emergência do pronto-socorro, acompanhada dos pais. Os pais referem que a criança apresenta febre, tosse e cansaço há 3 dias, com prostração importante nas últimas horas. Ao exame físico, a criança apresenta-se em regular estado geral, hipoativa, temperatura axilar de 38,8°C, frequência cardíaca de 156bpm, frequência respiratória de 42irpm e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Na ausculta pulmonar, apresenta estertores subcrepitantes em bases pulmonares com esforço respiratório moderado e saturação periférica de oxigênio de 91% em ar ambiente. Após monitorização e obtenção de acesso venoso periférico, qual é a conduta correta para esta paciente?
Choque séptico pediátrico → O₂ alto fluxo + acesso venoso + cristaloide 20mL/kg RÁPIDO + ATB amplo espectro na 1ª hora.
O manejo inicial do choque séptico em pediatria é tempo-sensível e foca na 'hora de ouro': reconhecimento precoce, oxigenação, acesso vascular, ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides isotônicos e antibioticoterapia de amplo espectro na primeira hora.
O choque séptico é uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil. O reconhecimento precoce é fundamental, pois o tratamento instituído na primeira hora ('hora de ouro') impacta diretamente o prognóstico. Os sinais em crianças podem ser sutis e incluem taquicardia, alteração do estado mental, tempo de enchimento capilar prolongado e extremidades frias (choque frio, mais comum em crianças). O manejo inicial, conforme as diretrizes da 'Surviving Sepsis Campaign', segue uma abordagem sistematizada. A primeira etapa é garantir a oxigenação, muitas vezes com oxigênio de alto fluxo por máscara não-reinalante. Simultaneamente, deve-se obter um acesso venoso ou intraósseo para iniciar a ressuscitação volêmica agressiva com bolus de 20 mL/kg de cristaloide isotônico (Soro Fisiológico ou Ringer Lactato), que pode ser repetido conforme a resposta hemodinâmica. Antes de iniciar os antibióticos, devem ser coletadas culturas (hemocultura) e exames como lactato sérico, um marcador de hipoperfusão tecidual. A antibioticoterapia de amplo espectro deve ser administrada o mais rápido possível, idealmente dentro da primeira hora. A reavaliação contínua da perfusão, débito urinário e estado neurológico é crucial para guiar a terapia subsequente.
Os sinais incluem taquicardia (geralmente o primeiro sinal), tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pulsos periféricos fracos, extremidades frias, alteração do nível de consciência (irritabilidade ou letargia) e hipotensão (sinal tardio e grave).
Tanto o Soro Fisiológico 0,9% quanto o Ringer Lactato são considerados cristaloides isotônicos de primeira linha. O Ringer Lactato pode ser preferível em grandes volumes para evitar a acidose metabólica hiperclorêmica associada ao SF 0,9%.
Drogas vasoativas (como epinefrina para choque frio ou norepinefrina para choque quente) devem ser consideradas se o choque persistir apesar da ressuscitação volêmica adequada (geralmente após 40-60 mL/kg de cristaloide) ou se houver sinais de sobrecarga hídrica.
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