Choque Séptico Pediátrico: Diagnóstico e Manejo Inicial

INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Criança, 21 meses, é levada à emergência por 'estar gripado'. Segundo a mãe, ele está com febre e sem se alimentar bem há cerca de 20 horas, além de apresentar dor abdominal e um episodio de vômito (líquido verde) pela a manhã. Sinais vitais: peso = 15kg; temperatura = 39,2°C; frequência cardíaca (FC) = 60bpm; frequência respiratória (FR) = 35irpm; saturação de oxigênio (SpO2) = 98%, em ar ambiente; pressão arterial sistólica = 60mmHg e diastólica indetectável; enchimento capilar superior a 4 segundos. Letárgica e incapaz de acompanhar objetos com o olhar, choro sem lágrimas. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais adequada para este menino, respectivamente, é:

Alternativas

  1. A) choque séptico / puncionar acesso venoso, iniciar etapa rápida de solução salina a 300mL em 5-10 minutos,
  2. B) estenose hipertrófica de piloro/ puncionar acesso venoso, administrar antitérmico e realizar intubação orotraqueal
  3. C) choque séptico/ puncionar acesso venoso, administrar antitérmico e iniciar massagem cardíaca
  4. D) estenose hipertrófica de piloro / puncionar acesso venoso, iniciar etapa rápida de solução salina a 300mL em 20 minutose realizar intubação orotraqueal

Pérola Clínica

Criança com febre, letargia, hipotensão e TPC > 4s → Choque séptico = Fluidos 20mL/kg SF 0,9% em 5-10 min.

Resumo-Chave

Em crianças, a hipotensão é um sinal tardio de choque. Sinais como taquicardia (ou bradicardia em choque grave), enchimento capilar prolongado, letargia e má perfusão são cruciais para o diagnóstico precoce. A conduta inicial é a rápida reposição volêmica com bolus de cristaloides.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma emergência pediátrica grave, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil. A rápida identificação e intervenção são cruciais para melhorar o prognóstico. A epidemiologia mostra que infecções bacterianas graves são mais comuns em lactentes e crianças pequenas, tornando a vigilância essencial em quadros febris com sinais de má perfusão. O reconhecimento precoce dos sinais de choque, mesmo na ausência de hipotensão, é fundamental para o residente. A fisiopatologia do choque séptico envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando à disfunção microvascular, má perfusão tecidual e disfunção orgânica. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de infecção suspeita ou confirmada e sinais de disfunção orgânica ou má perfusão. Quando suspeitar: qualquer criança com febre e alteração do estado mental, taquicardia, enchimento capilar prolongado, extremidades frias ou hipotensão. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica com fluidoterapia agressiva e precoce, seguida de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. O prognóstico depende da rapidez do reconhecimento e da resposta ao tratamento. Pontos de atenção incluem a monitorização contínua dos sinais vitais, débito urinário e estado de consciência, além da consideração de drogas vasoativas se a resposta aos fluidos for inadequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais precoces de choque séptico em crianças?

Os sinais precoces incluem taquicardia, enchimento capilar prolongado (>2 segundos), extremidades frias, alteração do estado mental (irritabilidade, letargia) e oligúria. A hipotensão é um sinal tardio.

Qual a conduta inicial para choque séptico em pediatria?

A conduta inicial é a rápida reposição volêmica com bolus de 20 mL/kg de solução cristaloide isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%) administrado em 5 a 10 minutos, podendo ser repetido. Além disso, deve-se iniciar antibióticos de amplo espectro após coleta de culturas.

Por que a bradicardia pode ser um sinal de choque grave em crianças?

A bradicardia em um contexto de choque em crianças é um sinal ominoso, indicando falência miocárdica e descompensação grave. É um sinal tardio e sugere a necessidade de intervenções mais agressivas, incluindo suporte inotrópico e, potencialmente, reanimação cardiopulmonar.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo