Choque Séptico Pediátrico: Manejo Hemodinâmico Urgente

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025

Enunciado

Lactente, 1 ano, encontra-se em tratamento ambulatorial com quadro de febre por broncopneumonia, utilizando amoxicilina há cinco dias. A mãe relata que a criança não melhorou e veio à emergência por piora do quadro, respirando mal, ficando muito “molinha”. Exame físico: mau estado geral, rebaixamento do nível de consciência, respiração irregular com esforço importante, FR: 52 irpm, FC: 170bpm, pele rendilhada, extremidades pouco aquecidas, enchimento capilar de 4s e PA: 65x35mmHg.A conduta indicada em relação ao suporte hemodinâmico é:

Alternativas

  1. A) expansão volêmica e infusão de noradrenalina
  2. B) expansão volêmica e infusão de adrenalina
  3. C) infusão de noradrenalina
  4. D) infusão de dobutamina

Pérola Clínica

Choque séptico pediátrico hipotensivo → Expansão volêmica + Adrenalina (choque frio) ou Noradrenalina (choque quente).

Resumo-Chave

Em lactentes com choque séptico descompensado (hipotensão e sinais de má perfusão), após a expansão volêmica inicial, a adrenalina é o vasoativo de primeira escolha para choque frio, enquanto a noradrenalina é preferida para choque quente. A criança apresenta sinais de choque frio (pele rendilhada, extremidades pouco aquecidas, TPC prolongado).

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento rápido e intervenção imediata. A broncopneumonia é uma causa comum de sepse em lactentes. A identificação precoce dos sinais de choque, como taquicardia, taquipneia, alteração do nível de consciência e sinais de má perfusão, é fundamental para iniciar o tratamento adequado e melhorar o prognóstico. A hipotensão é um sinal tardio e grave de choque descompensado em crianças. A fisiopatologia do choque séptico envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção miocárdica e má distribuição do fluxo sanguíneo. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais e sintomas de sepse e disfunção orgânica. A avaliação da perfusão (tempo de enchimento capilar, temperatura das extremidades, pulsos) e da pressão arterial é essencial para classificar o tipo de choque (frio ou quente) e guiar a terapia. O tratamento inicial do choque séptico pediátrico inclui suporte ventilatório, acesso vascular rápido, expansão volêmica com cristaloides e, se houver falha na resposta aos fluidos, o uso de drogas vasoativas. A adrenalina é a primeira escolha para choque frio refratário a fluidos, enquanto a noradrenalina é preferida para choque quente. O objetivo é restaurar a perfusão tecidual e a estabilidade hemodinâmica, monitorando continuamente os parâmetros vitais e a resposta clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque séptico descompensado em lactentes?

Os sinais incluem rebaixamento do nível de consciência, taquicardia, taquipneia, hipotensão (sinal tardio), pele rendilhada, extremidades frias ou quentes, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos) e pulsos débeis ou saltitantes.

Por que a adrenalina é a primeira escolha para choque frio em crianças?

A adrenalina é preferida no choque frio pediátrico porque possui efeitos alfa e beta-adrenérgicos, promovendo vasoconstrição (aumentando a pressão arterial e a perfusão sistêmica) e inotropismo positivo (aumentando a contratilidade cardíaca), o que é fundamental para reverter a disfunção miocárdica e a má perfusão.

Qual a importância da expansão volêmica inicial no choque séptico pediátrico?

A expansão volêmica inicial com bolus de cristaloides (20 mL/kg) é crucial para restaurar o volume intravascular e melhorar a perfusão tecidual. No entanto, deve ser administrada com cautela e reavaliada constantemente para evitar sobrecarga hídrica, especialmente em pacientes com disfunção cardíaca.

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