Choque Séptico Pediátrico: Condutas Iniciais e Ressuscitação

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Sobre as condutas iniciais nas crianças, em que foi concluído o diagnóstico de choque séptico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A nutrição enteral está contraindicada em crianças com choque séptico após ressuscitação hemodinâmica adequada, mesmo quando não são necessárias doses progressivas de agentes vasoativos, considerando o risco de isquemia intestinal.
  2. B) Classificar inicialmente o tipo de choque entre o “frio” e o “quente” é imperativo, porque, após essa distinção, no caso de choque refratário, o volume será uma variável para decidir entre noradrenalina, nos casos de choque quente, e adrenalina.
  3. C) Em casos de sepse, mesmo sem disfunção orgânica ou choque, foi sugerido que o início da antibioticoterapia seja efetivado na primeira hora do reconhecimento da condição clínica da criança, preferencialmente após coleta de hemocultura.
  4. D) Na abordagem inicial para o atendimento da criança com diagnóstico de choque séptico, as chamadas catecolaminas, independentemente da escolha, só poderão ser instaladas para infusão contínua quando houver acesso venoso central.
  5. E) Utilizar cristaloides balanceados, como Ringer Lactato e Plama-Lyte, ao invés de coloides para ressuscitação inicial de crianças com choque séptico ou disfunção orgânica relacionada à sepse, desde que não haja sinais de sobrecarga hídrica.

Pérola Clínica

Choque séptico pediátrico → cristaloides balanceados (Ringer Lactato/Plasma-Lyte) para ressuscitação inicial, evitando coloides e sobrecarga hídrica.

Resumo-Chave

Na ressuscitação inicial do choque séptico pediátrico, a preferência é por cristaloides balanceados devido ao menor risco de lesão renal aguda e mortalidade em comparação com coloides. A administração deve ser cautelosa para evitar sobrecarga hídrica, que pode piorar o prognóstico.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave, caracterizada por disfunção orgânica induzida por uma resposta desregulada à infecção, resultando em hipoperfusão tecidual. O reconhecimento precoce e a intervenção agressiva são cruciais para melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade. As condutas iniciais seguem um protocolo padronizado, com foco na estabilização hemodinâmica e no controle da infecção. A ressuscitação volêmica é a pedra angular do tratamento inicial. As diretrizes atuais, como as do Surviving Sepsis Campaign e PALS, recomendam o uso de cristaloides balanceados, como Ringer Lactato ou Plasma-Lyte, em vez de coloides, para a ressuscitação inicial de crianças com choque séptico. Isso se baseia em evidências que sugerem menor risco de lesão renal aguda e mortalidade com cristaloides. A administração deve ser em bolus rápidos, com reavaliação contínua para evitar sobrecarga hídrica. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro deve ser iniciada na primeira hora após o reconhecimento do choque séptico, idealmente após a coleta de hemoculturas. A escolha do vasopressor (noradrenalina ou adrenalina) pode ser guiada pela classificação do choque (quente ou frio), e embora o acesso venoso central seja o ideal para sua infusão contínua, o início por via periférica é aceitável em emergências. A nutrição enteral precoce, quando tolerada, também é recomendada para suporte metabólico.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre choque séptico "frio" e "quente" em crianças?

O choque "quente" (vasodilatado) apresenta extremidades quentes e pulsos amplos, enquanto o "frio" (vasoconstrito) tem extremidades frias, pulsos finos e tempo de enchimento capilar prolongado. Essa distinção guia a escolha inicial do vasopressor.

Quando iniciar a antibioticoterapia em casos de sepse pediátrica?

A antibioticoterapia deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente dentro da primeira hora do reconhecimento da sepse ou choque séptico, após a coleta de culturas, para otimizar o prognóstico.

É necessário acesso venoso central para iniciar catecolaminas em choque séptico pediátrico?

Embora o acesso central seja preferencial para infusão contínua de catecolaminas, em situações de emergência e ausência de acesso central, a infusão pode ser iniciada por via periférica por um curto período, enquanto se estabelece o acesso definitivo.

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