UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024
Atualmente a sepse pode ser classificada de acordo com a gravidade, inicialmente dicotomizada entre os casos clínicos com e sem disfunção orgânica associada e o choque séptico.Sobre o choque séptico, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.( ) A despeito da clássica recomendação de se prescrever expansão volêmica antes do início dos fármacos vasoativos, na pediatria, tanto em recém-nascidos como em crianças maiores, deve-se analisar individualmente cada situação clínica, incluindo os sinais indiretos de sobrecarga hídrica.( ) A dopamina vem sendo substituída pela noradrenalina ou adrenalina como opção inicial de tratamento, considerando a melhor performance no restabelecimento da pressão arterial da noradrenalina e adrenalina, além da correlação com menores índices de mortalidades dessas catecolaminas.( ) A milrinona é citada por sua eficácia e efetividade na vasodilatação pulmonar e na ação inotrópica cardíaca. Na vasculatura pulmonar, atua por meio de relaxamento do endotélio vascular pulmonar. No coração, garante inotropismo por meio da ação sobre receptores adrenérgicos do tipo beta-1.( ) A noradrenalina tem importante variabilidade de ação sobre receptores adrenérgicos. Em doses mais baixas, de até 0,1 mcg/Kg/minuto, atua principalmente sobre receptores beta-1, como potencial inotrópico e cronotrópico, por atuar também sobre os receptores beta-2. Doses mais elevadas têm ação predominante sobre receptores alfa-1.( ) A vasopressina, indicada principalmente no conceito de choque refratário a catecolaminas, promove ação vasopressora por meio de dois mecanismos distintos, inicialmente por meio da restrição hídrica e pela potente ação vasoconstritora promovida por sua atuação sobre receptores específicos.Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Choque séptico pediátrico: Noradrenalina/Adrenalina são 1ª escolha; Milrinona é inotrópico/vasodilatador pulmonar (inibidor fosfodiesterase), não beta-1.
No choque séptico pediátrico, a escolha dos vasoativos e a estratégia de expansão volêmica devem ser individualizadas. Noradrenalina e adrenalina são preferidas à dopamina. A milrinona atua como inotrópico e vasodilatador pulmonar via inibição da fosfodiesterase, não por receptores beta-1.
O choque séptico pediátrico é uma emergência médica que requer reconhecimento rápido e intervenção agressiva para melhorar os desfechos. A sepse em crianças pode progredir rapidamente para choque, caracterizado por disfunção orgânica e hipoperfusão tecidual. O manejo inicial inclui a estabilização hemodinâmica, com foco na expansão volêmica e no uso precoce de fármacos vasoativos. A expansão volêmica deve ser cuidadosamente individualizada na pediatria, considerando o risco de sobrecarga hídrica, especialmente em recém-nascidos e crianças com disfunção cardíaca. A escolha dos vasoativos é crucial; as diretrizes atuais favorecem a noradrenalina ou adrenalina como primeira linha, em detrimento da dopamina, devido a evidências de melhor eficácia e segurança. Outros agentes, como a milrinona, podem ser utilizados em situações específicas, como disfunção miocárdica ou hipertensão pulmonar, atuando como inotrópico e vasodilatador por inibição da fosfodiesterase. A vasopressina é reservada para casos de choque refratário a catecolaminas, agindo como um potente vasoconstritor. O conhecimento aprofundado da farmacologia e das diretrizes de manejo é essencial para o residente, visando otimizar o tratamento e reduzir a morbimortalidade associada ao choque séptico pediátrico.
Noradrenalina ou adrenalina são as opções iniciais preferenciais para o tratamento do choque séptico pediátrico, devido à sua melhor performance no restabelecimento da pressão arterial e menor associação com mortalidade em comparação com a dopamina.
A milrinona é um inibidor da fosfodiesterase-3, que aumenta o AMP cíclico (AMPc) intracelular, resultando em inotropismo positivo (aumento da contratilidade cardíaca) e vasodilatação, incluindo a pulmonar, sem atuar em receptores beta-1.
A vasopressina é indicada principalmente no choque séptico refratário a catecolaminas, promovendo vasoconstrição por meio de sua atuação em receptores V1, o que ajuda a elevar a pressão arterial.
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