Choque Séptico Pediátrico: Manejo Inicial e Prioridades

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente feminina, 2 anos de vida, iniciou há um dia quadro de febre até 40°C e tosse. Mãe relata que a paciente ficou mais cansada para respirar e menos ativa hoje. Ao exame apresenta enchimento capilar em 4 segundos, pele fria e moteada, pressão arterial: 60×40 mmHg, sonolenta, com cianose perilabial, ausculta pulmonar com diminuição do murmúrio vesicular em base direita, com estertores crepitantes à direita, sinais meníngeos ausentes.Baseado no quadro clínico exposto, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar imediatamente a expansão com soro glicosado 5% - 20 ml/kg.
  2. B) Deve-se iniciar sequência rápida de intubação como medida inicial.
  3. C) Está indicado o uso da hidrocortisona antes da expansão com solução cristaloide.
  4. D) Deve-se usar solução coloide 10 ml/kg em 30 minutos como medida inicial.
  5. E) Deve-se iniciar antibioticoterapia preferencialmente na primeira hora

Pérola Clínica

Criança com sinais de choque séptico (hipotensão, TPC >3s, sonolência) → iniciar ATB na 1ª hora e expansão volêmica com SF 0,9%.

Resumo-Chave

O quadro clínico da criança de 2 anos com febre, tosse, desconforto respiratório, hipotensão, enchimento capilar prolongado e sonolência é altamente sugestivo de choque séptico. A prioridade inicial é a estabilização hemodinâmica com fluidos e o início precoce da antibioticoterapia de amplo espectro, preferencialmente na primeira hora, para melhorar o prognóstico.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave, caracterizada por disfunção orgânica induzida por infecção, resultando em hipoperfusão tecidual e hipotensão. É uma das principais causas de mortalidade em crianças, exigindo reconhecimento rápido e intervenção imediata. A identificação precoce de sinais de choque, como enchimento capilar prolongado, taquicardia, alteração do nível de consciência e hipotensão, é fundamental para o prognóstico. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de infecção e hipoperfusão. A suspeita deve ser alta em qualquer criança febril com deterioração do estado geral, especialmente se houver sinais de choque. O tratamento do choque séptico pediátrico é multifacetado, incluindo suporte ventilatório, expansão volêmica agressiva com cristaloides (20 mL/kg de soro fisiológico em bolus, repetido conforme necessário), e o pilar mais crítico: a antibioticoterapia empírica de amplo espectro iniciada na primeira hora após o reconhecimento. O uso de vasopressores pode ser necessário se a hipotensão persistir após a reposição volêmica adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque séptico em crianças?

Sinais incluem taquicardia, enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pele fria e moteada, hipotensão (sinal tardio), alteração do nível de consciência e diminuição do débito urinário.

Qual a conduta inicial no manejo do choque séptico pediátrico?

A conduta inicial envolve a estabilização das vias aéreas e respiração, expansão volêmica rápida com cristaloides (soro fisiológico 0,9%) e o início da antibioticoterapia de amplo espectro na primeira hora.

Por que a antibioticoterapia precoce é crucial no choque séptico?

O início da antibioticoterapia na primeira hora de reconhecimento do choque séptico está associado a uma redução significativa da mortalidade, pois combate a infecção subjacente antes que cause danos irreversíveis aos órgãos.

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