HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2020
Menina, 15 meses, chega à Emergência com quadro de febre, vômitos e alternando irritabilidade e letargia há um dia. Mãe refere que a urina está diminuida. Exame físico: Regular estado geral, T= 38,6°, PA= 90 x 60 mmHg, FC= 170 bpm, FR=50 irpm, palidez cutânea, mucosas secas, anictérica, acianótica, pulsos periféricos finos, perfusão periférica= 4 seg. Pele: lesões arroxeadas nos membros inferiores e abdome, não desaparecem à dígito pressão. Nas várias tentativas de punção venosa periférica, apresenta sangramento profundo. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Criança febril + sinais de hipoperfusão (FC↑, TPC↑, pulsos finos) + lesões purpúricas + sangramento = Choque Séptico com CIVD.
O quadro clínico da menina (febre, vômitos, alteração de consciência, taquicardia, hipotensão, perfusão prolongada, lesões purpúricas e sangramento) é altamente sugestivo de choque séptico, provavelmente complicado por coagulação intravascular disseminada (CIVD), uma emergência pediátrica grave.
O choque séptico pediátrico é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, exigindo reconhecimento e manejo imediatos. É uma síndrome de disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. A apresentação clínica pode ser insidiosa, e a progressão para choque é rápida. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada que leva à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção miocárdica e, frequentemente, coagulação intravascular disseminada (CIVD). Os sinais de hipoperfusão (taquicardia, tempo de preenchimento capilar prolongado, pulsos finos, alteração do estado mental) são cruciais para o diagnóstico precoce, mesmo antes da hipotensão. O tratamento é uma emergência médica, com a 'golden hour' sendo vital. Inclui ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, antibioticoterapia empírica de amplo espectro iniciada o mais rápido possível, suporte ventilatório e, se refratário a fluidos, uso de drogas vasoativas. O reconhecimento precoce de complicações como a CIVD (lesões purpúricas, sangramentos) é fundamental para um manejo adequado e melhora do prognóstico.
Os sinais incluem febre ou hipotermia, taquicardia, taquipneia, alteração do estado mental (irritabilidade, letargia), tempo de preenchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos finos e, em estágios avançados, hipotensão.
A CIVD no choque séptico se manifesta por sangramentos em múltiplos locais (punções, mucosas) e lesões cutâneas purpúricas ou equimóticas, que não desaparecem à dígito pressão, indicando trombose microvascular e consumo de fatores de coagulação.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com ressuscitação volêmica agressiva (cristaloides isotônicos), suporte ventilatório, antibioticoterapia de amplo espectro precoce e, se necessário, uso de drogas vasoativas para manter a perfusão.
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