IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020
Uma criança de 6 anos, de 20 kg, chega ao pronto atendimento com história de febre e lesões vesiculosas há 1 semana. A mãe relata que o estado geral da criança vem piorando progressivamente e que as lesões do couro cabeludo estão cada vez mais hiperemiadas e purulentas. Ao exame, encontra-se em mau estado geral e sonolenta, com FC = 130 bpm, FR = 42 irpm, PA = 72x40 mmHg, extremidades quentes, pulsos amplos e tempo de enchimento capilar de 1 segundo. Qual é a conduta inicial adequada?
Choque séptico pediátrico: ABC + O2 100% + SF 0,9% 20 mL/kg em 5-15 min. Reavaliar.
O paciente apresenta sinais de choque séptico (mau estado geral, sonolência, taquicardia, taquipneia, hipotensão, extremidades quentes, pulsos amplos, TPC normal), provavelmente um choque distributivo ou 'quente'. A conduta inicial prioriza a estabilização das vias aéreas e respiração, oxigenação e rápida reposição volêmica com bolus de soro fisiológico (20 mL/kg) antes de considerar drogas vasoativas ou antibióticos, que virão em seguida.
O choque séptico é uma emergência pediátrica grave, com alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecido e tratado. É caracterizado por disfunção circulatória e celular induzida por infecção, levando à hipoperfusão tecidual. O reconhecimento precoce dos sinais de choque, mesmo os sutis, é crucial para o desfecho do paciente, especialmente em crianças, onde a hipotensão é um sinal tardio de descompensação. A fisiopatologia do choque séptico envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada, levando à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica. O manejo inicial segue os princípios do ABCDE (Vias Aéreas, Respiração, Circulação, Disfunção Neurológica, Exposição), com ênfase na estabilização das vias aéreas, oxigenação adequada e rápida reposição volêmica com bolus de cristaloides. A falha em responder aos fluidos indica a necessidade de suporte vasopressor. Para residentes, é fundamental dominar a sequência de atendimento, a dosagem correta de fluidos e a monitorização contínua da resposta do paciente. A reavaliação constante após cada intervenção é a chave para guiar o tratamento. Além disso, a identificação e o tratamento da causa subjacente (antibioticoterapia precoce) são componentes essenciais do manejo do choque séptico.
Os sinais de choque séptico em crianças incluem mau estado geral, alteração do nível de consciência (sonolência, irritabilidade), taquicardia, taquipneia, hipotensão (sinal tardio), tempo de enchimento capilar prolongado ou normal com extremidades quentes (choque quente), e pulsos amplos ou filiformes.
A dose inicial recomendada de fluidos para reanimação volêmica no choque pediátrico é de 20 mL/kg de soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, administrada rapidamente em 5 a 15 minutos. Essa dose pode ser repetida conforme a resposta clínica do paciente, com reavaliação constante.
A abertura das vias aéreas e a oferta de oxigênio a 100% são prioridades no choque pediátrico porque a hipóxia pode agravar a disfunção orgânica e a acidose metabólica. Garantir uma ventilação e oxigenação adequadas otimiza o transporte de oxigênio aos tecidos e melhora a resposta à reposição volêmica.
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