HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023
Criança com 6 anos de idade em fase escolar, do sexo masculino, é atendida no pronto atendimento pois há 3 dias iniciou quadro de tosse e dor torácica (ventilatório- -dependente), além de cansaço e dificuldade para respirar. A mãe relata que apresentou picos de febre de até 40 ºC e 3 episódios de vômitos. No exame físico estava em regular estado geral, descorada 2+/4+, com palidez cutânea com discreto livedo reticular e hipoativa. O exame pulmonar evidenciava diminuição importante do murmúrio vesicular à esquerda, FR = 42 ipm, tiragem de fúrcula e tiragem intercostal, SatO2 = 90% em ar ambiente. Na avaliação cardiovascular havia BRNF sem sopros, FC = 155 bpm e PA = 88 x 54 mmHg. Tempo de enchimento capilar = 4 segundos. Não havia sinais de irritação meníngea e após administração de 40 ml/kg de Ringer lactato o exame físico permanece inalterado.O diagnóstico mais provável para essa criança é:
Criança com infecção grave + taquicardia + TEC > 2s + pulsos periféricos diminuídos = Choque Séptico Compensado.
O choque séptico compensado em crianças é caracterizado por sinais de hipoperfusão (TEC prolongado, pulsos diminuídos, livedo reticular) e taquicardia, mas com pressão arterial ainda mantida. É crucial reconhecer esses sinais precoces para intervenção imediata.
O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave, caracterizada por disfunção circulatória e celular induzida por uma infecção, resultando em hipoperfusão tecidual. Em crianças, o reconhecimento precoce é desafiador, pois elas mantêm a pressão arterial por mais tempo devido a mecanismos compensatórios eficazes, como o aumento da frequência cardíaca e da resistência vascular sistêmica. Isso define o choque séptico compensado, onde a hipotensão ainda não está presente. Os sinais de choque séptico compensado incluem taquicardia persistente, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos diminuídos ou filiformes, extremidades frias, livedo reticular, e alteração do estado mental (irritabilidade, letargia). A presença de uma fonte de infecção, como a pneumonia aguda no caso descrito, reforça a suspeita. A progressão para choque descompensado ocorre quando esses mecanismos compensatórios falham, resultando em hipotensão, que é um sinal tardio e de pior prognóstico. O manejo inicial é crítico e deve ser agressivo, seguindo os princípios do PALS (Pediatric Advanced Life Support). Inclui a garantia de via aérea e ventilação adequadas, estabelecimento de acesso vascular rápido, expansão volêmica com bolus de cristaloides (geralmente 10-20 mL/kg em 5-20 minutos, repetidos conforme resposta), e início precoce de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. A falha em responder à expansão volêmica pode indicar a necessidade de vasopressores.
Os sinais incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos diminuídos, livedo reticular, extremidades frias e alteração do estado mental, com pressão arterial ainda mantida dentro dos limites de normalidade para a idade.
Crianças possuem mecanismos compensatórios robustos, como aumento da frequência cardíaca e vasoconstrição periférica, que mantêm a pressão arterial até que o choque esteja avançado e descompensado, tornando a hipotensão um sinal tardio.
A conduta inicial envolve suporte ventilatório, acesso vascular rápido, expansão volêmica com bolus de cristaloides (10-20 mL/kg), e antibioticoterapia empírica de amplo espectro iniciada o mais rápido possível.
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