Choque Séptico Pediátrico: Manejo da Hipotensão Refratária

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Pré-escolar de três anos, com história de pneumonia, chega ao hospital com quadro de choque séptico. Após receber antibióticos e infusão adequada de volume na primeira hora do atendimento, apresenta-se com taquicardia, boa perfusão periférica, extremidades pletóricas, enchimento capilar de 1 segundo e hipotensão arterial refratária à infusão de dopamina na dose de 5 µg/kg/min. Ecocardiograma: débito cardíaco aumentado com boa função ventricular. A conduta mais adequada para esse paciente é:

Alternativas

  1. A) realizar nova expansão com soro fisiológico 0,9% 20 ml/kg.
  2. B) iniciar adrenalina na dose de 0,2 µg/kg/min.
  3. C) iniciar noradrenalina na dose de 0,15 µg/kg/min.
  4. D) iniciar milrinona na dose de 0,5 µg/kg/min.
  5. E) iniciar dobutamina na dose de 10 µg/kg/min.

Pérola Clínica

Choque séptico pediátrico 'quente' com hipotensão refratária e débito cardíaco ↑ → Noradrenalina.

Resumo-Chave

Em choque séptico pediátrico com características de 'choque quente' (boa perfusão periférica, extremidades pletóricas, débito cardíaco aumentado) e hipotensão refratária a fluidos e dopamina, a noradrenalina é o vasopressor de escolha para aumentar a resistência vascular sistêmica.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave que exige reconhecimento rápido e manejo agressivo. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando a disfunção orgânica e, frequentemente, a alterações hemodinâmicas. Em crianças, o choque pode se apresentar de forma 'quente' (distributivo, com vasodilatação e alto débito cardíaco) ou 'fria' (com vasoconstrição e baixo débito cardíaco). O manejo inicial inclui a estabilização das vias aéreas e respiração, seguida por infusão rápida e adequada de fluidos (cristaloides). Se a hipotensão persistir após a expansão volêmica e o uso de dopamina (que pode ter efeitos variáveis), a escolha do vasopressor depende do perfil hemodinâmico. No caso de choque 'quente' com débito cardíaco aumentado e hipotensão refratária, a noradrenalina é o vasopressor de primeira linha, pois seu principal efeito é a vasoconstrição, que combate a vasodilatação sistêmica. A compreensão dos diferentes perfis de choque e a escolha adequada dos vasopressores são cruciais para otimizar o tratamento e melhorar o prognóstico em crianças com choque séptico. Residentes devem dominar esses conceitos para a prática clínica e para as provas, pois a rápida intervenção é determinante na sobrevida desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Como identificar o choque séptico 'quente' em crianças?

O choque séptico 'quente' é caracterizado por extremidades quentes e pletóricas, enchimento capilar rápido (<1-2 segundos), pulsos amplos e, frequentemente, débito cardíaco aumentado, apesar da hipotensão.

Por que a noradrenalina é a droga de escolha nesse cenário?

A noradrenalina é um vasopressor potente que atua principalmente na vasoconstrição, aumentando a resistência vascular sistêmica e a pressão arterial, sendo ideal para o choque séptico com vasodilatação e débito cardíaco já elevado.

Quando considerar outros vasopressores ou inotrópicos?

Outros vasopressores como a adrenalina podem ser usados se a noradrenalina for insuficiente. Inotrópicos como dobutamina ou milrinona seriam considerados se houvesse disfunção miocárdica e baixo débito cardíaco, o que não é o caso nesta questão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo