UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023
Criança, 4 anos de idade, diagnóstico de meningite por pneumococo. Internada em enfermaria de pediatria, apresenta há algumas horas taquicardia (155 bpm), leve taquipneia, palidez moderada e extremidades malperfundidas, com tempo de enchimento capilar de 6 segundos. Escala de coma de Glasgow = 11. Nos controles de enfermagem, não há registro de diurese nas 12 horas mais recentes. Edemaciada, com fígado palpável a 7 cm do rebordo costal direito. Pressão arterial de 60/25 mmHg. Exames laboratoriais revelam acidose metabólica, aumento do lactato sérico e creatinina. Não há UTI Pediátrica como retaguarda da enfermaria.Com base nessas informações clínicas, considere as afirmativas a seguir.I. Trata-se de sepse com disfunção orgânica e choque séptico, devendo ser administrada reparação com soro fisiológico, com alíquotas de 20 mL/kg, três vezes.II. Considerando a possibilidade de sepse com provável injúria renal associada, a administração de ringer com lactato, como solução cristaloide, não é recomendada pela maior concentração de potássio.III. Como agente com propriedade vasoativa, recomenda-se a administração de noradrenalina ou adrenalina como primeira opção de tratamento, não havendo, nesse momento, vantagens comprovadas entre essas catecolaminas.IV. Após estabilização da pressão arterial, havendo sinais de baixo débito cardíaco, com aumento da extração de oxigênio e baixa saturação venosa central, recomenda-se associação de fármacos com ação inodilatadora.Assinale a alternativa correta.
Choque séptico pediátrico com sinais de sobrecarga hídrica/IRA → fluidos cautelosos, preferir SF 0,9% e iniciar vasoativos precocemente (noradrenalina/adrenalina).
Em choque séptico pediátrico, especialmente com sinais de disfunção renal e sobrecarga hídrica (edema, hepatomegalia), a fluidoterapia deve ser cautelosa, preferindo soro fisiológico. Vasoativos como noradrenalina ou adrenalina são a primeira linha, e inodilatadores podem ser adicionados para baixo débito cardíaco persistente.
O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave, caracterizada por sepse com disfunção cardiovascular e hipoperfusão tecidual, resultando em acidose metabólica e aumento do lactato. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são fundamentais para melhorar o prognóstico. A apresentação clínica pode variar, mas inclui taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão (sinal tardio e grave), oligúria e alteração do nível de consciência. O manejo inicial envolve a estabilização das vias aéreas e respiração, seguida pela fluidoterapia. No entanto, a administração de fluidos deve ser criteriosa, especialmente em pacientes com sinais de sobrecarga hídrica (edema, hepatomegalia) ou disfunção renal, onde bolus excessivos podem ser prejudiciais. Nesses casos, o soro fisiológico 0,9% é geralmente preferido ao Ringer Lactato devido ao risco de hipercalemia e piora da acidose com o lactato em pacientes com disfunção hepática e renal. Após a fluidoterapia inicial, se o choque persistir, a introdução de agentes vasoativos é imperativa. Noradrenalina e adrenalina são as catecolaminas de primeira escolha, sem vantagens comprovadas de uma sobre a outra no início. Se, após a estabilização da pressão arterial, houver sinais de baixo débito cardíaco (avaliado por parâmetros como saturação venosa central de oxigênio e débito cardíaco), a associação de um inodilatador, como dobutamina ou milrinone, pode ser benéfica para melhorar a contratilidade miocárdica e a perfusão tecidual.
Os sinais incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos débeis, extremidades frias ou quentes, alteração do estado mental, hipotensão (sinal tardio) e oligúria.
A disfunção renal e a presença de edema/hepatomegalia indicam risco de sobrecarga hídrica, que pode levar a edema pulmonar e piorar a função cardíaca. Fluidos devem ser administrados em bolus menores e com reavaliação constante.
Inodilatadores (como dobutamina ou milrinone) são considerados após a estabilização da pressão arterial com vasoativos, se persistirem sinais de baixo débito cardíaco, como baixa saturação venosa central de oxigênio e aumento da extração de oxigênio.
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