Choque Séptico Pediátrico: Reconhecimento e Manejo Imediato

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Você atende um paciente de 14 meses com quadro de cansaço, irritabilidade e recusa alimentar há 3 dias, com piora há 1 dia. É previamente saudável, mas há 15 dias teve, segundo a mãe, uma “virose” que causou diarreia e “manchas” pelo corpo. Ao exame físico, está em regular estado geral, febril (39°C), pálida, taquidispneica (frequência respiratória de 60 incursões por minuto), com saturação de pulso de oxigênio de 96% com oxigênio a 100%. Sua perfusão periférica é de 7 segundos, pulsos periféricos finos e pressão arterial de 55 x 32 mmHg. Ausculta cardíaca normal, estertores finos em ambas bases pulmonares e fígado palpável a 4 cm do rebordo costal direito. Restante do exame sem alterações. A conduta imediata é:

Alternativas

  1. A) Monitoração em sala de emergência, obtenção de acesso venoso periférico e infusão de 5 a 10 mL/kg de solução cristaloide em 20 a 30 minutos.
  2. B) Monitoração em sala de emergência, obtenção de acesso venoso ou intraósseo e infusão de 20 mL/kg de solução cristaloide em 5 a 10 minutos.
  3. C) Solicitar avaliação cirúrgica para obtenção de acesso venoso profundo na sala de emergência, e iniciar noradrenalina contínua assim que obtido o acesso.
  4. D) Administrar uma dose de dipirona parenteral, manter o paciente em observação e reavaliar após melhora da febre.

Pérola Clínica

Choque pediátrico (perfusão ↓, pulsos finos, hipotensão) → acesso venoso/intraósseo + cristaloide 20 mL/kg em 5-10 min.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais claros de choque (perfusão prolongada, pulsos finos, hipotensão, taquidispneia, irritabilidade). A conduta imediata é garantir acesso e iniciar a reposição volêmica agressiva com cristaloides, 20 mL/kg em 5-10 minutos, para restaurar a perfusão.

Contexto Educacional

O choque pediátrico é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e intervenção imediata para prevenir a progressão para falência de múltiplos órgãos e morte. Em crianças, o choque é frequentemente compensado por um tempo, e a hipotensão é um sinal tardio e ominoso. O caso clínico descreve um lactente com sinais clássicos de choque descompensado: irritabilidade, taquidispneia, palidez, perfusão periférica prolongada, pulsos finos e hipotensão. A conduta imediata no choque pediátrico, conforme as diretrizes de Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS), prioriza a estabilização da via aérea, respiração e circulação. Após garantir oxigenação e ventilação adequadas, o foco principal é a restauração da perfusão. Isso é feito através da obtenção de um acesso vascular rápido (venoso periférico ou, se impossível, intraósseo) e da administração agressiva de fluidos cristaloides. A dose recomendada é de 20 mL/kg de soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, administrada em bolus rápido (5 a 10 minutos), com reavaliação contínua da resposta e dos sinais de sobrecarga. É crucial que os residentes compreendam a importância da agilidade e da agressividade na reanimação volêmica do choque pediátrico. Atrasos na administração de fluidos podem levar a desfechos piores. A monitorização contínua dos sinais vitais, perfusão e débito urinário é essencial para guiar a terapia. A opção A, com 5 a 10 mL/kg em 20 a 30 minutos, é muito conservadora para um choque descompensado, enquanto a opção B, 20 mL/kg em 5 a 10 minutos, é a conduta correta e salvadora.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque em um lactente?

Sinais de choque em lactentes incluem taquicardia, taquipneia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos finos ou ausentes, pele fria e marmórea, letargia/irritabilidade, e hipotensão (sinal tardio).

Qual a conduta inicial na reanimação volêmica de um choque pediátrico?

A conduta inicial é a infusão rápida de bolus de solução cristaloide isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) na dose de 20 mL/kg, repetida em 5 a 10 minutos, conforme a resposta clínica e a avaliação da sobrecarga.

Quando considerar o acesso intraósseo em pediatria?

O acesso intraósseo deve ser considerado quando não é possível obter um acesso venoso periférico em 90 segundos ou após duas tentativas, sendo uma via rápida e segura para administração de fluidos e medicamentos em emergências pediátricas.

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