Choque Séptico em Lactentes: Manejo Inicial na Emergência

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

Um lactente de 3 meses de idade, com peso de 6 kg e sem comorbidades prévias, é trazido à Unidade de Pronto Atendimento pelos pais com queixa de febre alta (38,9 ºC) há 36 horas, acompanhada de prostração, irritabilidade, e recusa alimentar. Os pais referem que a criança está "molinha" e com menos urina nas fraldas. Negam sintomas respiratórios ou gastrointestinais. Ao exame físico, o bebê apresenta-se letárgico, com choro fraco e pele marmórea. FC: 190 bpm, FR: 60 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, PA: 70/40 (MAP 50) mmHg. Fontanela anterior deprimida. Pulsos periféricos finos e tempo de enchimento capilar (TEC) de 4 segundos. Diante deste quadro clínico, qual é a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Administrar antitérmico oral e reavaliar após 30 minutos, com alta se houver melhora clínica e da febre.
  2. B) Internar o paciente em leito monitorizado, ofertar oxigênio suplementar, estabelecer acesso venoso, iniciar expansão volêmica com 20 ml/kg de cristaloide, coletar exames laboratoriais e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
  3. C) Realizar punção lombar e raio-X de tórax imediatamente para identificar o foco infeccioso antes de iniciar a antibioticoterapia.
  4. D) Solicitar vaga em Unidade de Terapia Intensiva e aguardar transferência, sem iniciar qualquer medida terapêutica invasiva na UPA.

Pérola Clínica

Lactente < 3 meses com febre, prostração e má perfusão → agir rápido: O2, acesso venoso, volume (20ml/kg) e antibiótico na 1ª hora.

Resumo-Chave

O reconhecimento precoce do choque séptico em lactentes é crucial. A conduta inicial segue o mnemônico 'MOV': Monitorização, Oxigênio e Acesso Venoso, seguido de expansão volêmica agressiva e antibioticoterapia empírica na primeira hora ('Golden Hour').

Contexto Educacional

O choque séptico em lactentes é uma emergência médica com alta mortalidade, definida como disfunção orgânica causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Lactentes jovens, especialmente menores de 3 meses, são particularmente vulneráveis devido à imaturidade do sistema imunológico, tornando o reconhecimento e a intervenção precoces fundamentais para um bom desfecho. O diagnóstico é clínico, baseado na identificação de sinais de hipoperfusão tecidual. Os achados incluem alterações no estado mental (irritabilidade, letargia), taquicardia desproporcional à febre, tempo de enchimento capilar prolongado (> 2 segundos), pulsos periféricos fracos e pele marmórea. A hipotensão é um sinal tardio e indica choque descompensado, associado a um prognóstico pior. A suspeita deve ser alta em qualquer lactente febril com aparência 'tóxica' ou prostrada. O manejo inicial deve ser agressivo e ocorrer na primeira hora ('Golden Hour'). A abordagem segue os princípios do Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS), priorizando a estabilização respiratória e hemodinâmica. As medidas incluem: ofertar oxigênio suplementar, garantir acesso venoso calibroso, iniciar expansão volêmica com bolus de 20 mL/kg de solução cristaloide (podendo ser repetido conforme a resposta), coletar culturas e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro o mais rápido possível.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de choque em um lactente?

Sinais incluem taquicardia (ou bradicardia em fases tardias), tempo de enchimento capilar prolongado (>2s), pulsos periféricos finos, extremidades frias, pele marmórea, alteração do estado mental (irritabilidade ou letargia) e hipotensão (sinal tardio).

Qual a antibioticoterapia empírica de escolha para sepse em um lactente de 3 meses?

Para lactentes entre 1 e 3 meses, o esquema empírico geralmente inclui Ampicilina (cobrindo Listeria) associada a uma cefalosporina de 3ª geração (Ceftriaxona ou Cefotaxima) para cobrir os patógenos mais comuns como S. agalactiae, E. coli e S. pneumoniae.

Como diferenciar choque séptico de choque hipovolêmico em um lactente?

Embora a apresentação possa ser semelhante, a presença de febre alta e a ausência de história clara de perdas (vômitos/diarreia) falam mais a favor de sepse. No choque séptico, a vasodilatação periférica pode ocorrer (choque quente), enquanto na hipovolemia a vasoconstrição é a regra (choque frio).

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