MedEvo Simulado — Prova 2026
Lactente de 18 meses, previamente hígido, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com história de febre alta há 24 horas, vômitos esporádicos e prostração intensa. A mãe relata que a criança está muito "caidinha" e não urina há cerca de 10 horas. Ao exame físico, o paciente apresenta-se irritável, gemendo à manipulação, com extremidades frias e pulsos periféricos finos. A frequência cardíaca é de 178 bpm, a frequência respiratória é de 50 irpm, a temperatura axilar é de 38,9 °C e o tempo de enchimento capilar é de 5 segundos. A pressão arterial aferida é de 68 x 40 mmHg. Diante do quadro clínico apresentado, o diagnóstico e a conduta imediata são:
Hipotensão em pediatria = choque descompensado (sinal tardio) → Requer expansão imediata 20mL/kg.
O choque séptico em crianças é um diagnóstico clínico baseado na perfusão; a hipotensão é um sinal de gravidade extrema que exige ressuscitação volêmica agressiva imediata.
O reconhecimento precoce do choque séptico é crucial na pediatria para reduzir a mortalidade. O quadro clínico clássico envolve febre, prostração e sinais de má perfusão. A abordagem inicial segue os protocolos de suporte avançado de vida em pediatria (PALS), focando na estabilização hemodinâmica rápida. A expansão volêmica deve ser reavaliada após cada bólus, observando sinais de melhora (redução da FC, melhora do nível de consciência) ou sinais de sobrecarga hídrica (hepatomegalia, estertores). Se o choque persistir após 40-60 mL/kg, deve-se considerar o início de drogas vasoativas.
O diagnóstico de choque compensado em pediatria é clínico e baseia-se em sinais de má perfusão tecidual: alteração do estado mental (irritabilidade ou letargia), tempo de enchimento capilar > 2 segundos, pulsos periféricos finos, extremidades frias e oligúria. A taquicardia é um sinal precoce compensatório. Não se deve esperar a queda da pressão arterial para iniciar o tratamento, pois a hipotensão é um sinal tardio e pré-morte em crianças.
A conduta imediata no choque séptico é a expansão volêmica com 20 mL/kg de cristaloide isotônico (Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) administrado em bólus rápido (menos de 20 minutos). O objetivo é restaurar o volume intravascular e melhorar o débito cardíaco. O uso de soro glicosado é contraindicado na fase de ressuscitação devido ao risco de hiperglicemia, diurese osmótica e hiponatremia.
Os valores de pressão arterial normal variam com a idade. Para um lactente de 18 meses, uma PAS de 68 mmHg é francamente hipotensiva (o limite inferior para 1-10 anos é 70 + [2 x idade em anos]). Crianças possuem uma reserva simpática potente que mantém a PA via vasoconstrição intensa; quando a PA cai, significa que os mecanismos compensatórios falharam totalmente, caracterizando o choque descompensado com alto risco de parada cardiorrespiratória.
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