Choque Séptico Pediátrico: Manejo Inicial e Diretrizes

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022

Enunciado

Um escolar de oito anos de idade é levado pelo pai ao departamento de emergência pediátrico de um hospital terciário devido à febre alta (39 °C) há três dias e  cefaleia e há 24 horas evoluindo com vômitos em jato, sonolência, inapetência e oligúria. Ao exame físico: afebril(36,9 °C), sonolento, escala de Glasgow 14, hipoativo,  rigidez de nuca, desidratado, acianótico, anictérico,  pulsos finos, perfusão capilar: 4 segundos, FC = 152 bpm, PA = 74 x 40 mmHg, sons pulmonares normais, FR = 35 irpm, esforço leve, satO2 = 93% em ar ambiente. Considerando o contexto desse caso clínico, analise as afirmativas a seguir.I. O paciente deve ser encaminhado inicialmente para leito em sala de emergência, iniciar monitorização, acesso venoso calibroso e oferta de oxigênio em alto fluxo.II. A ressuscitação volêmica deve ser realizada com solução cristaloide balanceada, em etapas de 10 a 20 mL/kg com reavaliações frequentes até 40 a 60 mL/kg, atentando-se aos sinais de sobrecarga volêmica e perfusão.III. O tratamento com antibióticos de amplo espectro deve ser iniciado idealmente dentro da primeira hora. A coleta de culturas é importante na condução clínica, mas não deve atrasar o início do antibiótico.IV. O início de catecolaminas está indicado na ocorrência de choque refratário a fluidos, preferencialmente epinefrina, na presença desinais de baixo débito ou norepinefrina, em choque hipotensivo.V. Nas recomendações atuais de manejo do choque séptico pediátrico, o uso rotineiro de corticosteroides é bem estabelecido, sendo ahidrocortisona a medicação de escolha.Estão corretas as afirmativas

Alternativas

  1. A) I, II e III, apenas.
  2. B) II, IV e V, apenas.
  3. C) I, III, IV e V, apenas.
  4. D) I, II, III e IV, apenas.

Pérola Clínica

Choque séptico pediátrico: Estabilizar, fluidos 10-20 mL/kg, ATB 1ª hora. Corticoides NÃO rotineiros.

Resumo-Chave

O manejo inicial do choque séptico pediátrico exige estabilização rápida com monitorização, acesso venoso e oxigênio. A ressuscitação volêmica com cristaloides em bolus de 10-20 mL/kg é crucial, e antibióticos de amplo espectro devem ser iniciados na primeira hora, sem atraso por culturas. Corticosteroides não são rotineiros.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento rápido e intervenção agressiva. A apresentação clínica pode ser variada, mas sinais de hipoperfusão, como pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado e hipotensão, são cruciais para o diagnóstico. A suspeita de meningite, como no caso, agrava o quadro e exige atenção redobrada. O manejo inicial segue as diretrizes do PALS (Pediatric Advanced Life Support) e da Surviving Sepsis Campaign. Prioriza-se a estabilização da via aérea, respiração e circulação. A ressuscitação volêmica com bolus de cristaloides (10-20 mL/kg) é fundamental para restaurar a perfusão. Simultaneamente, antibióticos de amplo espectro devem ser administrados na primeira hora, idealmente após a coleta de culturas, mas sem atrasá-los. A falha em responder aos fluidos indica a necessidade de catecolaminas, com a escolha dependendo do perfil hemodinâmico (epinefrina para choque frio, norepinefrina para choque quente/vasodilatado). O uso de corticosteroides não é rotineiro, sendo reservado para choque refratário ou insuficiência adrenal. A monitorização contínua e reavaliações frequentes são essenciais para guiar o tratamento e otimizar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os passos iniciais no manejo de um escolar com suspeita de choque séptico?

Os passos iniciais incluem estabilização em sala de emergência, monitorização, obtenção de acesso venoso calibroso, oferta de oxigênio em alto fluxo e início imediato da ressuscitação volêmica e antibioticoterapia.

Qual a recomendação para ressuscitação volêmica no choque séptico pediátrico?

A ressuscitação volêmica deve ser feita com solução cristaloide balanceada, em bolus de 10 a 20 mL/kg, com reavaliações frequentes da perfusão e sinais de sobrecarga, podendo ser repetida até 40-60 mL/kg.

Quando os corticosteroides são indicados no choque séptico pediátrico?

O uso rotineiro de corticosteroides não é recomendado. Eles são reservados para casos de choque refratário a fluidos e catecolaminas, ou quando há suspeita de insuficiência adrenal.

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