Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Lactente, 2 meses; peso: 5 kg; sem comorbidades. Os pais procuram atendimento em UPA devido à queixa de febre há dois dias variando de 38,5 - 38,8 ºC associada a irritabilidade, choro inconsolável e redução das mamadas. Referem ainda redução da necessidade de troca de fraldas. Negam coriza, tosse e alteração do hábito intestinal. Negam contato da criança com pessoas com sintomas gripais. Ao exame físico: regular estado geral, irritada, choro sem lágrimas, boca seca, febril (38,6 ºC). FC: 200 bpm. FR: 65 ipm. SatO2 94% em ar ambiente. PA: 75 / 50 (66) mmHg. Fontanela anterior plana e normotensa. Otoscopia e Oroscopia sem alterações. AR. Murmúrio vesicular presente sem RA, RSC leve. ACV: 2 Bulhas ritmicas e normofonéticas sem sopros. Abdome: semi globoso. RHA presentes. Sem massas ou visceromegalias. Pulsos periféricos finos. TEC 5 segundos. Diante do caso clínico, é correto afirmar que a melhor abordagem inicial é:
Lactente <3 meses com febre + sinais de choque (taquicardia, hipotensão, TEC >3s) → choque séptico. Iniciar ATB, fluidos e suporte.
Um lactente de 2 meses com febre e sinais de choque (taquicardia, hipotensão, pulsos finos, TEC prolongado, sinais de desidratação) deve ser tratado como choque séptico. A abordagem inicial inclui monitorização, oxigênio, acesso venoso, expansão volêmica e antibioticoterapia empírica imediata.
O choque séptico em lactentes é uma emergência pediátrica com alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecido e tratado. Lactentes, especialmente aqueles com menos de 3 meses, são particularmente vulneráveis a infecções bacterianas graves (IBG) e podem progredir rapidamente para choque, muitas vezes com apresentações clínicas atípicas ou inespecíficas. A febre em um lactente jovem é sempre um sinal de alerta que exige investigação e manejo agressivos. A fisiopatologia do choque séptico envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando a disfunção circulatória e celular. Os sinais clínicos incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos periféricos finos, hipotensão (sinal tardio), alteração do nível de consciência e sinais de hipoperfusão. A desidratação, como no caso apresentado, pode agravar o quadro. A abordagem inicial é crítica e deve ser realizada na primeira hora (golden hour). Inclui monitorização contínua, oferta de oxigênio, estabelecimento de acesso venoso (ou intraósseo), expansão volêmica rápida com cristaloides (20 mL/kg em bolus, repetível), coleta de exames laboratoriais e culturas (sangue, urina, LCR se indicado) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. A estabilização hemodinâmica e o controle da infecção são os pilares do tratamento.
Sinais de choque em lactentes incluem taquicardia, pulsos finos ou ausentes, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), hipotensão (sinal tardio), pele fria e pegajosa, alteração do nível de consciência e oligúria.
Lactentes menores de 3 meses com febre têm um risco significativamente maior de infecção bacteriana grave (IBG) e sepse, muitas vezes sem sinais localizatórios claros. Por isso, requerem investigação e tratamento agressivos.
A dose inicial de expansão volêmica para choque pediátrico é de 20 mL/kg de solução cristaloide (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato), administrada rapidamente em bolus, podendo ser repetida conforme a resposta clínica.
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