UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019
Maria Vitória, 5 anos, portadora de Encefalopatia Hipóxica-Isquêmica devido a asfixia perinatal grave, foi internada na UTI. Ao receber o plantão, você percebe que a criança estava instável hemodinamicamente e decide por fazer expansão volêmica (SF 0,9%, 20 ml/kg) que é repetida por mais duas vezes. Na reavaliação: EGMau, dispneica, pálida, com extremidades frias. AR: MV + diminuído em terço médio e base direita, com crepitantes grosseiros nesta região, FR: 44 ipm, tiragens subcostais, Sat.O2: 88% (Venruri 50%). ACV:RCR 2T, BNF, sem sopros, FC: 170 bpm, TPC: 4,5 segundos, PA: 78:50 mmHg. Abdômen, plano, flácido indolor e sem visceromegalias. Assinale a alternativa CORRETA.
Choque pediátrico refratário a fluidos + sinais de sepse → ATB empírico + IOT + Adrenalina (choque frio).
A paciente apresenta sinais de choque refratário à volume e insuficiência respiratória grave, com provável foco infeccioso pulmonar. O manejo inicial inclui suporte ventilatório (IOT), antibioticoterapia empírica precoce para sepse e uso de droga vasoativa, sendo a adrenalina a primeira escolha para choque frio em pediatria.
O choque séptico pediátrico é uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento e intervenção rápidos. A paciente Maria Vitória apresenta um quadro grave de choque, evidenciado por instabilidade hemodinâmica, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão e sinais de hipoperfusão (extremidades frias, torpor). A presença de crepitantes pulmonares e insuficiência respiratória sugere um foco infeccioso pulmonar como causa da sepse. A encefalopatia hipóxica-isquêmica prévia pode tornar a criança mais vulnerável. O manejo inicial do choque séptico inclui a expansão volêmica agressiva com cristaloides (SF 0,9% 20 mL/kg), que já foi realizada. No entanto, a persistência dos sinais de choque indica refratariedade ao volume. Diante da insuficiência respiratória grave (Sat.O2 88% com O2 suplementar, tiragens, FR elevada), a intubação orotraqueal (IOT) é imperativa para garantir a ventilação e oxigenação adequadas e reduzir o trabalho respiratório. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro deve ser iniciada imediatamente após a coleta de culturas, sem aguardar resultados, pois cada hora de atraso aumenta a mortalidade na sepse. Para o suporte hemodinâmico em choque frio (caracterizado por extremidades frias e TPC prolongado), a adrenalina é a droga vasoativa de primeira escolha em pediatria, devido aos seus efeitos inotrópicos, cronotrópicos e vasopressores. O etomidato, mencionado em uma alternativa, é um sedativo para IOT, mas não a melhor escolha para este caso devido ao risco de supressão adrenal em pacientes sépticos.
Sinais de choque refratário a fluidos incluem persistência de taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), extremidades frias, hipotensão (sinal tardio), oligúria e alteração do nível de consciência, mesmo após múltiplas expansões volêmicas.
A adrenalina é a droga de escolha para choque frio (com baixo débito cardíaco e alta resistência vascular sistêmica) em pediatria porque possui efeitos alfa e beta-adrenérgicos, aumentando a contratilidade miocárdica, a frequência cardíaca e a resistência vascular sistêmica, melhorando a perfusão.
A intubação orotraqueal é indicada em pacientes pediátricos com choque e insuficiência respiratória grave que apresentam sinais de falha respiratória iminente (exaustão, hipoxemia refratária, hipercapnia), alteração do nível de consciência ou necessidade de proteção de via aérea.
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