Choque Séptico Pediátrico: Reconhecimento e Conduta Imediata

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 7 anos de idade, previamente hígida, apresenta quadro de febre há 1 dia de até 39,5°C, mal-estar e hipoatividade. Foi admitida no Pronto-Socorro letárgica, sendo levada à sala de emergência. Na avaliação primaria, estava febril, sonolenta, porém responsiva ao chamado, hidratada. Apresentava extremidades frias, pulsos finos e tempo de enchimento capilar de 6 segundos. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações, abdome indolor, sem visceromegalias. Abaixo os dados de monitorização do paciente. Qual é a conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Sedação seguida de cardioversão elétrica.
  2. B) Ceftriaxone e expansão volêmica.
  3. C) Manobra vagal seguida de adenosina.
  4. D) Antitérmico e reavaliação após 1 hora.

Pérola Clínica

Criança febril, letárgica, com sinais de hipoperfusão (TPC > 3s, extremidades frias, pulsos finos) → Choque Séptico: Expansão volêmica + ATB empírico imediato.

Resumo-Chave

A apresentação clínica de febre, letargia e sinais de hipoperfusão (extremidades frias, pulsos finos, TPC prolongado) em uma criança é altamente sugestiva de choque séptico. A conduta imediata e prioritária é a expansão volêmica rápida e a administração de antibióticos de amplo espectro para combater a infecção e restaurar a perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma emergência médica grave, caracterizada por disfunção circulatória e celular induzida por infecção, resultando em hipoperfusão tecidual. É uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e o reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para um desfecho favorável. A apresentação clínica pode ser sutil inicialmente, mas a progressão é rápida, exigindo alta suspeição. Os sinais de hipoperfusão, como extremidades frias, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (maior que 2-3 segundos) e alteração do nível de consciência (letargia, sonolência), são indicativos de choque e demandam ação imediata. A febre é um achado comum, mas a ausência dela não exclui o diagnóstico. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica. A conduta imediata no choque séptico pediátrico, conforme diretrizes internacionais, inclui a expansão volêmica agressiva com cristaloides isotônicos (20 mL/kg em bolus, repetidos conforme necessário) e a administração precoce de antibióticos de amplo espectro (como Ceftriaxone) dentro da primeira hora do reconhecimento. O suporte hemodinâmico e respiratório, além da busca pela fonte da infecção, são componentes essenciais do manejo. Residentes devem dominar essa sequência de ações para salvar vidas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de choque em crianças que exigem conduta imediata?

Os principais sinais incluem alteração do nível de consciência (letargia, sonolência), taquicardia, taquipneia, extremidades frias ou quentes, pulsos finos ou amplos, tempo de enchimento capilar prolongado (>2-3 segundos) e hipotensão (sinal tardio).

Por que a expansão volêmica e a antibioticoterapia são as condutas imediatas no choque séptico pediátrico?

A expansão volêmica visa restaurar o volume intravascular e a perfusão tecidual, enquanto a antibioticoterapia de amplo espectro é crucial para combater a infecção subjacente que está causando o choque. Ambas as medidas devem ser iniciadas o mais rápido possível para melhorar o prognóstico.

Qual o papel do Ceftriaxone no tratamento inicial da sepse pediátrica?

O Ceftriaxone é um antibiótico de amplo espectro frequentemente utilizado como terapia empírica inicial na sepse pediátrica devido à sua eficácia contra uma variedade de patógenos comuns, incluindo bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, e sua boa penetração em diversos tecidos.

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