Choque Séptico: Manejo Inicial e Protocolo de 1 Hora

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 50 anos apresenta dispneia, tosse, expectoração amarelada e febre de 38 ºC há 5 dias. AP: HAS. Exame físico: PA 60/40 mmHg, FC 110 bpm, FR 35 ipm e SatO₂ 85%. Além da suplementação de oxigênio, na primeira hora devem-se:

Alternativas

  1. A) coletar hemoculturas e lactato sérico, administrar antibioticoterapia, fazer 30 mL/kg de cristaloide e entrar com noradrenalina se necessário.
  2. B) coletar hemoculturas, lactato sérico e saturação venosa central, fazer 30 mL/kg de cristaloide, antibioticoterapia, dobutamina se saturação venosa central < 70%.
  3. C) coletar culturas, iniciar antibioticoterapia de amplo espectro, prescrever noradrenalina para manter pressão arterial média > 65 mmHg.
  4. D) coletar culturas, fazer 30 mL/kg de solução cristaloide, iniciar antibioticoterapia de largo espectro, prescrever dobutamina se saturação venosa central < 70%.

Pérola Clínica

Choque séptico: 1ª hora = hemoculturas + lactato, ATB, 30 mL/kg cristaloide, noradrenalina se refratário.

Resumo-Chave

O manejo inicial do choque séptico é tempo-dependente e visa restaurar a perfusão tecidual e combater a infecção. A prioridade é a coleta de culturas e lactato, seguida da administração rápida de antibióticos de amplo espectro e fluidos. Vasopressores como a noradrenalina são indicados se a hipotensão persistir após a fluidoterapia inicial.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada por sepse com disfunção circulatória e metabólica que aumenta o risco de mortalidade. Sua epidemiologia é significativa, sendo uma das principais causas de internação em UTIs e morte em todo o mundo. A rápida identificação e intervenção são cruciais para melhorar os desfechos dos pacientes. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica, resultando em hipotensão e hipoperfusão tecidual. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios de sepse e sinais de choque. Deve-se suspeitar em pacientes com infecção e sinais de disfunção orgânica. O tratamento é guiado pelas diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, com foco na "hora de ouro". Inclui coleta de culturas, dosagem de lactato, administração precoce de antibióticos de amplo espectro, fluidoterapia agressiva com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) e, se necessário, vasopressores (noradrenalina como primeira escolha) para manter a pressão arterial média > 65 mmHg. O prognóstico depende da rapidez e adequação do manejo inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de choque séptico?

Os principais sinais incluem hipotensão persistente, taquicardia, taquipneia, alteração do estado mental, oligúria e sinais de hipoperfusão tecidual como lactato elevado.

Qual a conduta inicial para hipotensão no choque séptico?

A conduta inicial envolve a administração rápida de 30 mL/kg de cristaloides intravenosos. Se a hipotensão persistir, deve-se iniciar vasopressores, sendo a noradrenalina a primeira escolha.

Por que a coleta de lactato sérico é importante no choque séptico?

O lactato sérico é um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção celular. Níveis elevados indicam gravidade e sua monitorização é crucial para guiar a ressuscitação e avaliar a resposta ao tratamento.

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