Choque Séptico: Manejo Volêmico Inicial e Diretrizes

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024

Enunciado

Homem de 62 anos, diabético e hipertenso, é admitido na UTI devido a um quadro de pneumonia. Apresenta PA= 80/50 mmHg, FC= 115 bpm, FR= 30 irpm e saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente. Os exames laboratoriais mostram lactato= 4,5 mmol/L e creatinina= 2,8 mg/dL. Qual estratégia de manejo volêmico inicial é mais apropriada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Administrar 30 mL/kg de solução cristaloide em bolus nas primeiras 3 horas.
  2. B) Administrar 500 mL de solução salina isotônica rapidamente e reavaliar a pressão arterial e lactato.
  3. C) Administrar 1.000 mL de solução cristaloide em 1 hora, seguida de avaliação da resposta clínica.
  4. D) Restringir líquidos e administrar vasopressores imediatamente.

Pérola Clínica

Choque séptico com hipotensão e lactato elevado → 30 mL/kg de cristaloide em bolus nas primeiras 3 horas.

Resumo-Chave

Em pacientes com choque séptico, a ressuscitação volêmica inicial com 30 mL/kg de solução cristaloide nas primeiras 3 horas é uma medida fundamental para restaurar a perfusão tecidual e reduzir o lactato. Essa conduta é baseada nas diretrizes da Surviving Sepsis Campaign e visa otimizar o débito cardíaco e a oxigenação dos órgãos.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada por disfunção orgânica induzida por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, resultando em hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar da ressuscitação volêmica adequada. O manejo inicial rápido e agressivo é crucial para melhorar os desfechos, e as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign fornecem um roteiro para a abordagem terapêutica. A estratégia de manejo volêmico inicial no choque séptico é um pilar fundamental. A recomendação atual é administrar um bolus de 30 mL/kg de solução cristaloide intravenosa dentro das primeiras 3 horas em pacientes com hipotensão induzida por sepse ou lactato sérico elevado (> 2 mmol/L). Essa medida visa corrigir a hipovolemia relativa e melhorar a perfusão tecidual. A escolha de cristaloides, como soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato, é preferível em relação aos coloides. Após o bolus inicial, a administração de fluidos deve ser guiada pela reavaliação contínua da resposta do paciente, utilizando parâmetros dinâmicos de responsividade a fluidos sempre que possível. É importante ressaltar que a ressuscitação volêmica deve ser individualizada e monitorizada de perto para evitar sobrecarga hídrica, que pode levar a complicações como edema pulmonar e disfunção orgânica. Se a hipotensão persistir após a administração inicial de fluidos, vasopressores, como a norepinefrina, devem ser iniciados prontamente para manter a PAM alvo. O manejo do choque séptico é complexo e exige uma abordagem integrada que inclui, além da ressuscitação volêmica e vasopressores, o controle do foco infeccioso, antibioticoterapia precoce e suporte orgânico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais objetivos da ressuscitação inicial no choque séptico?

Os principais objetivos são restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial, otimizar a oxigenação e reduzir o lactato sérico. Isso é alcançado através da administração rápida de fluidos, vasopressores (se necessário) e controle do foco infeccioso.

Por que a administração de 30 mL/kg de cristaloide é a conduta inicial recomendada?

A administração de 30 mL/kg de cristaloide nas primeiras 3 horas é a recomendação da Surviving Sepsis Campaign para pacientes com hipotensão induzida por sepse ou lactato sérico ≥ 2 mmol/L. Este volume visa corrigir a hipovolemia relativa e melhorar a perfusão orgânica, sendo uma medida inicial para estabilizar o paciente.

Quando se deve iniciar vasopressores no choque séptico?

Vasopressores devem ser iniciados se a hipotensão persistir após a ressuscitação volêmica inicial adequada (30 mL/kg de cristaloide). A norepinefrina é o vasopressor de primeira linha recomendado para manter uma pressão arterial média (PAM) alvo de 65 mmHg.

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