Choque Séptico: Manejo Inicial e Protocolo de Urosepsis

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 32 anos é encaminhada ao hospital universitário com queixa de dor lombar, calafrios e sonolência. Refere estar em uso de antibióticos há 5 dias, sem melhora do quadro. Ao exame físico apresentava-se confusa, pele fria, hipocorada +/4+, com tempo de enchimento capilar (TEC) de 5 segundos. Pressão arterial (PA): 80/50 mmHg, frequência cardíaca (FC) de 110 bpm, Temperatura: 37,6ºC, peso habitual: 60Kg. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Coletar lactato e hemoculturas, iniciar antibiótico e iniciar noradrenalina.
  2. B) Coletar lactato, urocultura, iniciar antibiótico e realizar expansão volêmica com ringer lactato 30ml/kg.
  3. C) Coletar urocultura, solicitar tomografia de rins e vias urinárias, expansão volêmica com SF 0,9% 1800ml e iniciar antibiótico.
  4. D) Coletar exames de Apache II, hemoculturas, urocultura, lactato, iniciar antibiótico e expansão volêmica com 30ml/kg de soro 0,45%.

Pérola Clínica

Suspeita de choque séptico (hipotensão, TEC >3s, confusão) + foco infeccioso (dor lombar) → Coletar culturas (urocultura, hemoculturas), lactato, iniciar ATB e expansão volêmica 30ml/kg Ringer Lactato.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de choque séptico (hipotensão, taquicardia, TEC prolongado, confusão mental) com provável foco urinário (dor lombar, calafrios, uso prévio de ATB sem melhora). A conduta inicial inclui coleta de exames (lactato, culturas), início precoce de antibióticos e ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides (30ml/kg).

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro de sepse grave evoluindo para choque séptico, evidenciado pela hipotensão (PA 80/50 mmHg), taquicardia (FC 110 bpm), sinais de hipoperfusão (pele fria, TEC de 5 segundos, confusão mental) e um provável foco infeccioso urinário (dor lombar, calafrios). A ausência de melhora com antibióticos prévios reforça a gravidade. O manejo inicial do choque séptico é uma emergência tempo-dependente e segue protocolos bem estabelecidos. A prioridade é a estabilização hemodinâmica e o controle da infecção. A coleta de lactato é fundamental para avaliar a hipoperfusão tecidual, enquanto as culturas (urocultura, hemoculturas) são essenciais para guiar a antibioticoterapia. O início precoce de antibióticos de amplo espectro, preferencialmente dentro da primeira hora, é crucial. A ressuscitação volêmica com cristaloides, como o Ringer Lactato, na dose de 30 mL/kg, é a pedra angular do tratamento inicial para restaurar a volemia e a perfusão. A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha, mas deve ser iniciada APÓS a expansão volêmica adequada, caso a hipotensão persista. A alternativa B descreve a sequência correta e prioritária de ações para o manejo inicial do choque séptico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para choque séptico?

Choque séptico é definido por sepse com hipotensão persistente que requer vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg E lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Qual a importância da expansão volêmica no choque séptico?

A expansão volêmica inicial com cristaloides (30 mL/kg) é crucial para restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial, combatendo a hipovolemia relativa e a disfunção microcirculatória características do choque séptico.

Quando e por que coletar lactato no choque séptico?

O lactato deve ser coletado precocemente e monitorado, pois é um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção metabólica. Níveis elevados indicam gravidade e a necessidade de otimizar a ressuscitação.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo