Choque Séptico Pós-Operatório: Diagnóstico e Manejo

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 20 anos no terceiro PO de colecistectomia eletiva, apresentando T=38,7ºC, FC 125 bpm; FR 29 ipm e leucocitose 15800/mm3. PA após a infusão de 2000ml de soro fisiológico 82/53mmHg. Apresenta-se confusa, oligúrica e com lactato sérico de 4,2mmol/L, SaO2 98% e SvO2 80%. Uma tomografia computadorizada de abdome evidenciou uma coleção subfrênica. Neste momento, o quadro sindromico acima é mais apropriadamente designado por:

Alternativas

  1. A) Choque séptico
  2. B) Sepse
  3. C) Sepse grave
  4. D) SIRS
  5. E) Bacteremia

Pérola Clínica

Choque séptico = Sepse + hipotensão persistente (MAP < 65 mmHg) pós-fluidos + lactato > 2 mmol/L.

Resumo-Chave

O diagnóstico de choque séptico é feito quando há sepse (infecção + disfunção orgânica) e hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média ≥ 65 mmHg, ou lactato sérico > 2 mmol/L, mesmo após ressuscitação volêmica adequada. A coleção subfrênica indica a fonte infecciosa.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada por disfunção orgânica induzida por infecção, acompanhada de anormalidades circulatórias e metabólicas celulares profundas. É uma das principais causas de mortalidade em unidades de terapia intensiva, sendo crucial seu reconhecimento precoce e manejo agressivo. A incidência e a mortalidade do choque séptico permanecem elevadas, apesar dos avanços terapêuticos, ressaltando a importância do conhecimento aprofundado para residentes e profissionais de saúde. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória desregulada do hospedeiro à infecção, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção miocárdica e má distribuição do fluxo sanguíneo, resultando em hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica. O diagnóstico baseia-se nos critérios Sepsis-3, que definem choque séptico como sepse com necessidade de vasopressores para manter a pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, após ressuscitação volêmica adequada. A presença de uma fonte infecciosa, como a coleção subfrênica no caso, é fundamental para a suspeita. O tratamento inicial do choque séptico é uma emergência médica e inclui ressuscitação volêmica com cristaloides, administração precoce de antibióticos de amplo espectro, controle da fonte de infecção e uso de vasopressores (noradrenalina como primeira escolha) para manter a pressão arterial. O monitoramento contínuo da perfusão tecidual, como o lactato sérico e a SvO2, é vital para guiar a terapia e otimizar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de choque séptico?

O choque séptico é diagnosticado pela presença de sepse (disfunção orgânica induzida por infecção) e necessidade de vasopressores para manter a pressão arterial média ≥ 65 mmHg, além de lactato sérico > 2 mmol/L, mesmo após ressuscitação volêmica adequada.

Qual a importância do lactato sérico no choque séptico?

O lactato sérico é um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção metabólica. Níveis elevados (> 2 mmol/L) após a ressuscitação volêmica são um critério diagnóstico para choque séptico e indicam maior gravidade e pior prognóstico.

Como diferenciar sepse de choque séptico?

Sepse é a disfunção orgânica causada por infecção. Choque séptico é um subconjunto da sepse caracterizado por disfunções circulatórias e metabólicas profundas, manifestadas por hipotensão persistente que necessita de vasopressores e/ou lactato elevado (> 2 mmol/L) após fluidos.

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