Choque Séptico Pós-Operatório: Reconhecimento e Manejo Urgente

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 65 anos, com história de prostatectomia há 1 mês, foi submetido a procedimento com anestesia geral para troca do cateter duplo J instalado em via urinária com sinais de obstrução. O procedimento foi realizado em 20 minutos, sem complicações. Na Sala de Recuperação, no pós-operatório imediato, apresentou redução do sensório, frequência cardíaca de 125 bpm, pressão arterial de 84/35 mmHg, frequência respiratória de 26 mpm, temperatura axilar de 37,8o C e SpO₂ de 90%. Qual dos manejos abaixo é o mais apropriado?

Alternativas

  1. A) Acessar imediatamente via aérea definitiva com intubação e transferir o paciente para o CTI.
  2. B) Iniciar administração de cristaloide em bolo e de vasopressor, coletar material para exames culturais e prescrever antibiótico de amplo espectro.
  3. C) Iniciar analgesia eficiente com morfina e solicitar angiotomografia e dosagem de D-dímeros.
  4. D) Encaminhar imediatamente o paciente para tomografia computadorizada abdominal para descartar complicação relacionada ao procedimento.

Pérola Clínica

Pós-operatório com hipotensão, taquicardia, alteração sensório, febre e foco infeccioso → Choque séptico = Fluidos, vasopressores, culturas, ATB empírico.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clássicos de choque (hipotensão, taquicardia, alteração do sensório, hipoperfusão) com um foco infeccioso claro (cateter duplo J obstruído, febre), indicando choque séptico. O manejo inicial é a ressuscitação volêmica, suporte vasopressor, coleta de culturas e início precoce de antibióticos de amplo espectro.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, resultando em disfunção orgânica e hipotensão persistente que requer vasopressores. No pós-operatório, a sepse é uma complicação grave, especialmente em pacientes idosos ou com comorbidades, e pode ser desencadeada por infecções relacionadas ao procedimento. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica exacerbada, levando à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica, resultando em hipoperfusão tecidual e disfunção de múltiplos órgãos. O reconhecimento precoce é crucial, com sinais como hipotensão, taquicardia, alteração do sensório, febre e sinais de hipoperfusão (lactato elevado, oligúria). O manejo inicial do choque séptico segue o bundle da sepse, que inclui a administração rápida de cristaloides (30 mL/kg em 3 horas), início de vasopressores (noradrenalina) se a hipotensão persistir, coleta de culturas (sangue, urina, ferida) e administração de antibióticos de amplo espectro dentro da primeira hora. A identificação e controle da fonte da infecção são igualmente importantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para choque séptico?

Choque séptico é definido por sepse com necessidade de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Qual a importância da 'hora de ouro' no tratamento do choque séptico?

A 'hora de ouro' refere-se à necessidade de iniciar o tratamento do choque séptico (fluidos, vasopressores, antibióticos) dentro da primeira hora após o reconhecimento, pois atrasos estão associados a maior mortalidade.

Quais antibióticos empíricos são recomendados para choque séptico de origem urológica?

Para choque séptico de origem urológica, a cobertura empírica deve incluir Gram-negativos (ex: ceftriaxona, piperacilina-tazobactam) e, dependendo do perfil de resistência local, considerar cobertura para Gram-positivos ou fungos em pacientes selecionados.

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