Choque Séptico Abdominal: Diagnóstico e ATB Ideal

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 65 anos vai à UPA porque está apresentando cinco episódios de evacuação ao dia há 4 dias com fezes amolecidas contendo raias de sangue, além de dor no quadrante inferior esquerdo do abdome. Desconhece doenças prévias. Ao exame físico, apresenta PA 70/50mmHg, FC 118bpm, FR 25irpm, SpO ₂ em ar ambiente 96%, Tax 38,6ºC. Encontra-se sonolento, porém abre os olhos ao chamado, e está orientado. As mucosas estão coradas e desidratadas. As extremidades estão frias e com enchimento capilar periférico lentificado. O abdome é doloroso à palpação da fossa ilíaca esquerda, normotenso, sem sinais de irritação do peritônio. O restante do exame físico não apresenta alterações. Exames de laboratório: Hb 13,4g/dL; LG 15.430/mm³; NS 11.870/mm³; Plq 123.000/mm³; Na+ 128mEq/L; K+ 2,9mEq/L; Cl 102mEq/L; Albumina 3,0g/dL; Creat 1,7mg/dL; Ureia 85mg/dL. Gasometria arterial: pH 7,20; pO ₂81mmHg; pCO ₂ 33mmHg; HCO₃- 13mEq/L; SaO2 95% lactato 3,5mEq/L. Exame de urina: pH urinário 6,3 sódio urinário 15mEq/L; potássio urinário 35mEq/L; ureia urinária 600mg/dL; osmolaridade urinária 600mOsm. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico inicial CORRETO e o tratamento antimicrobiano ADEQUADO para esse caso.

Alternativas

  1. A) Choque séptico; ampicilina/sulbactam.
  2. B) Choque séptico; ciprofloxacino.
  3. C) Sepse; ceftazidima e metronidazol.
  4. D) Sepse; ceftriaxona.

Pérola Clínica

Choque séptico de foco abdominal → Ceftriaxona + Metronidazol (cobertura gram-negativos e anaeróbios).

Resumo-Chave

Paciente com sinais de choque séptico e foco abdominal (dor em QIE, diarreia sanguinolenta) necessita de antibioticoterapia de amplo espectro que cubra gram-negativos e anaeróbios. A ceftriaxona é eficaz contra muitos gram-negativos, mas para foco abdominal, a associação com metronidazol é crucial.

Contexto Educacional

O paciente apresenta um quadro de choque séptico, evidenciado por hipotensão persistente, taquicardia, sinais de hipoperfusão (sonolência, extremidades frias, lactato elevado) e disfunção orgânica (IRA, plaquetopenia, hiponatremia), com um provável foco infeccioso abdominal (diarreia sanguinolenta, dor em QIE). O choque séptico é uma emergência médica com alta mortalidade. A suspeita de foco abdominal, possivelmente uma colite infecciosa grave ou diverticulite complicada, exige uma abordagem rápida. Os exames laboratoriais confirmam a gravidade, com leucocitose, desidratação e acidose metabólica. A identificação precoce do choque e a instituição de medidas de suporte são vitais. O tratamento inicial do choque séptico inclui ressuscitação volêmica, vasopressores e antibioticoterapia empírica de amplo espectro. Para um foco abdominal comunitário, a ceftriaxona é uma boa opção para cobrir gram-negativos, mas idealmente deveria ser associada ao metronidazol para cobrir anaeróbios, que são patógenos comuns em infecções intra-abdominais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para choque séptico?

O choque séptico é diagnosticado pela presença de sepse (disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção) e necessidade de vasopressores para manter a PAM ≥ 65 mmHg, além de lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de reposição volêmica adequada.

Qual a antibioticoterapia empírica recomendada para choque séptico de foco abdominal?

Para choque séptico de foco abdominal comunitário, a antibioticoterapia empírica deve cobrir gram-negativos e anaeróbios. Opções incluem ceftriaxona associada a metronidazol, ou piperacilina/tazobactam, ou carbapenêmicos. A escolha depende do perfil de resistência local e da gravidade do paciente.

Por que a cobertura para anaeróbios é importante em infecções abdominais?

A cobertura para anaeróbios é crucial em infecções abdominais porque esses microrganismos são componentes importantes da flora intestinal e frequentemente causam infecções intra-abdominais, como peritonite e abscessos. A falha em cobri-los pode levar à persistência da infecção e falha terapêutica.

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