Choque Séptico e PAC Grave: Manejo em UTI e Antibioticoterapia

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, de 56 anos, admitido no pronto socorro com história de mal estar geral há 3 dias, associado à tosse seca. Ao exame físico: Glasgow 12, Fc: 125 bpm/min sem alterações na ausculta cardíaca, PA: 80x30mmHg, Fr: 31 iRPM, com sinais de desconforto respiratório e SatO2: 89% em ar ambiente. A ausculta pulmonar com crepitações em terço médio a direita. Paciente hipertenso em uso regular da medicação, familiar nega histórico de diabetes. Ex-tabagista (2maços/ano) e ex-etilista. Baseado na literatura mais atual sobre sepse e sobre Pneumonia adquirida na comunidade, o quadro descrito trata-se de um caso de:

Alternativas

  1. A) Infecção, devendo ser tratado em enfermaria com Amoxicilina + Claritromicina.
  2. B) Sepse, devendo ser tratado a nível hospitalar em enfermaria com Levofloxacino.
  3. C) Sepse, devendo ser tratado a nível hospitalar em UTI com Ceftriaxona + Moxifloxacino.
  4. D) Choque séptico, devendo ser tratado a nível hospitalar em UTI com Cefotaxima + Claritromicina.

Pérola Clínica

Hipotensão refratária a fluidos + disfunção orgânica (Glasgow 12, SatO2 89%) = Choque Séptico → UTI + ATB amplo espectro.

Resumo-Chave

O paciente apresenta critérios de sepse (infecção + disfunção orgânica) e choque séptico (hipotensão persistente apesar de fluidos), com foco pulmonar (PAC grave). A conduta exige internação em UTI e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo patógenos típicos e atípicos.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e grave, definida como disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Quando a sepse evolui para choque séptico, há disfunções circulatórias e metabólicas profundas, com alta mortalidade. A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das causas mais comuns de sepse e choque séptico, sendo fundamental o reconhecimento precoce e manejo agressivo. O diagnóstico de sepse é baseado na presença de uma infecção suspeita ou confirmada e uma pontuação SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) de 2 ou mais. O choque séptico é diagnosticado quando, apesar da ressuscitação volêmica adequada, o paciente necessita de vasopressores para manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg e apresenta lactato sérico > 2 mmol/L. No caso apresentado, o paciente tem sinais claros de disfunção orgânica (Glasgow 12, SatO2 89%, FR 31) e hipotensão grave (PA 80x30), indicando choque séptico com foco pulmonar. O tratamento do choque séptico exige internação em UTI, ressuscitação volêmica inicial com cristaloides, início precoce de vasopressores (noradrenalina é a primeira escolha) e antibioticoterapia empírica de amplo espectro administrada na primeira hora. Para PAC grave, a combinação de um betalactâmico (como Ceftriaxona) com uma fluoroquinolona respiratória (como Moxifloxacino) ou um macrolídeo é recomendada para cobrir patógenos típicos e atípicos. O objetivo é restaurar a perfusão tecidual e erradicar a infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de sepse e choque séptico?

Sepse é definida como disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Choque séptico é um subconjunto da sepse com disfunções circulatórias e metabólicas profundas, caracterizado por hipotensão persistente que requer vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Qual a antibioticoterapia empírica recomendada para pneumonia adquirida na comunidade grave com sepse?

Para PAC grave com sepse, a antibioticoterapia empírica deve ser de amplo espectro, cobrindo patógenos típicos e atípicos. Uma combinação comum é um betalactâmico (como Ceftriaxona ou Cefotaxima) associado a um macrolídeo (como Claritromicina ou Azitromicina) ou uma fluoroquinolona respiratória (como Moxifloxacino ou Levofloxacino).

Por que a internação em UTI é crucial para pacientes com choque séptico?

A internação em UTI é crucial para pacientes com choque séptico devido à necessidade de monitoramento intensivo, suporte hemodinâmico (fluidos, vasopressores), suporte ventilatório (se necessário) e administração rápida de antibióticos e outras terapias de suporte para reverter a disfunção orgânica.

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